Atribuir ao desgaste a oscilação do Guarani no empate contra o Criciúma é totalmente justificável, afinal a sequência realmente foi dura, com quatro jogos em dez dias, sendo dois confrontos diretos, um Dérbi e partida em Criciúma cerca de 72 horas depois do clássico. Mais do que o cansaço físico, porém, o mental parece ter sido um obstáculo para o Bugre, principalmente no primeiro tempo. Disperso e errático, o time se ajustou no intervalo, mas não o suficiente para voltar de Santa Catarina com os três pontos. Ter trazido um, no entanto, não foi maus negócio.
A falta de concentração do time no começo da partida de terça-feira foi evidente e isso permitiu ao adversário um bom volume ofensivo. Foram cinco finalizações dos donos da casa só nos primeiros 15 minutos, mas todas erradas – algo que se repetiu em boa parte do duelo. A dificuldade na saída de bola, que provocou alguns vacilos quase fatais, também impediu que o Alviverde conseguisse sair com facilidade lá de trás.
Depois de um período sem muitos sustos, o Criciúma voltou à carga depois dos 30′ no momento em que criou sua melhor chance e também a única finalização certa das 13 que tentou – oito só na etapa inicial – na pancada de fora da área de Marlon e que explodiu no travessão de Agenor.
Enquanto passava por apuros lá atrás, o Guarani não conseguia encaixar o jogo ofensivamente. Com apenas 16% de posse de bola no último terço no primeiro tempo, o Bugre viu algumas de suas principais peças em jornadas bem pouco inspiradas. Motor do meio-campo, Ricardinho viu cair seu alto índice de acerto nos passes com oito erros em 50 tentativas. Outro que ficou devendo bastante foi Rafael Longuine. O meia não finalizou nenhuma vez, deu apenas uma assistência para finalização e somou cinco perdas de posse. Pelos lados, Bruno Xavier e Jefferson Nem também não entraram na partida e o resultado foi o fato de a equipe ter tido apenas duas finalizações, mas nenhuma certa.
No intervalo, a conversa do técnico Umberto Louzer no vestiário e a mudança na equipe com a entrada de Rondinelly no lugar de Rafael Longuine fez diferença para a subida de produção do time. O Alviverde ganhou em circulação de bola, com um jogador de mais ritmo do que agressividade. Isso fez diferença para a obtenção do controle das ações.
Se não conseguia reter a posse em quantidade e nem qualidade, os visitantes melhoraram nesse sentido. A bola rodou mais na etapa final (foram 99 passes a 26 nos primeiros 15 minutos) e as chances, mesmo que não tão claras assim, começaram a aparecer. Ao contrário de Longuine, Rondinelly foi bem mais participativo, com duas finalizações certas e ainda duas assistências para finalização. Bruno Xavier e Bruno Mendes tiveram boas oportunidades, mas não aproveitaram.
A melhora ofensiva, porém, não apagou algumas dificuldades que o Bugre ainda apresentava na marcação. O Criciúma apostou suas fichas nas descidas pelo lado esquerda da defesa rival e abusou das bolas levantadas na área para o jogo aéreo de Zé Carlos. Foram 30 cruzamentos – 18 no setor de Marcílio -, mas o camisa 9 não conseguiu levar vantagem. No segundo tempo, aliás, o time catarinense não teve uma finalização certa contra o gol de Agenor, que pouco teve trabalho.
O duelo continuou bastante equilibrado até os 35 minutos do segundo tempo, quando Marlon Freitas acabou deixando o campo por lesão e os donos da casa ficaram com um a menos, afinal já haviam feito as três substituições. A superioridade numérica parecia ser o cenário ideal para o Guarani dar aquele gás a mais e fazer o gol da vitória. A falta de pernas, porém, pesou e mais contundência e agressividade ao time para explorar essa vantagem. A única chance foi no chute cruzado de Rondinelly defendido pelo goleiro.
No fim, o saldo para jogadores e comissão técnica foi positivo. A permanência provisória no G4 deve durar até o final de semana, mas o time segue no bolo. Ter permanecido invicto numa semana pesada, com jogos seguidos, viagem e desgaste físico e emocional é algo a ser valorizado, assim como a série de quatro partidas sem levar gols. Agora, o time vai para uma semana de descanso e recuperação precisando aproveitar muito bem esse período porque a briga pelo acesso só vai se acirrar daqui pra frente.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Criciúma 44,6% x 55,4% Guarani
Passes certos: Criciúma 298 x 434 Guarani
Passes errados: Criciúma 54 x 56 Guarani
Finalizações certas: Criciúma 1 x 4 Guarani
Finalizações erradas: Criciúma 12 x 10 Guarani
Desarmes: Criciúma 10 x 16 Guarani
Cruzamentos: Criciúma 30 x 16 Guarani
Lançamentos: Criciúma 37 x 41 Guarani
Escanteios: Criciúma 7 x 2 Guarani
Faltas cometidas: Criciúma 12 x 12 Guarani
Rebatidas: Criciúma 29 x 34 Guarani