O Guarani brilhou em todos os setores e o coletivo foi o destaque na vitória sobre o Atlético-GO, na terça-feira. Como é difícil imaginar que aquele desempenho se repita em todos os jogos, o time oscilou no Dérbi, mas, se o ataque não conseguiu ter muita produtividade, a defesa bugrina foi responsável por segurar as pontas no empate em 0 a 0, no Moisés Lucarelli, que foi visto como bom resultado pelos visitantes.
Quando se observa apenas os números do confronto, é possível perceber extremo equilíbrio, afinal a posse de bola foi muito parelha (50,4% a 49,6% para os donos da casa), o número de passes certos foi parecido (244 a 235) e até o número de finalizações totais (11 a 8). O jogo, porém, se desenhou de maneira diferente entre as duas etapas.
O primeiro tempo foi um prato cheio para quem gosta de uma partida intensa. Embora sem grande primor técnico, Ponte e Guarani entregaram muita disposição e vontade para disputar cada bola ou palmo de campo. Prova dessa disputa em campo é que as duas equipes, em apenas 30 minutos de partida, já haviam conseguido juntas 11 desarmes.
O jogo do Bugre na etapa inicial se baseou quase que exclusivamente pelas investidas no lado direito, com 44% da posse de bola por aquele espaço. A dupla formada por Kevin e Matheus Oliveira teve 13 combinações e ainda contou com a colaboração de Ricardinho. Não à toa, a principal chance do primeiro tempo e que seria também a do jogo foi com o camisa 11, que exigiu grande defesa de Ivan.
Do outro lado, Pará e Jefferson Nem não foram alternativas efetivas de ataque. O lateral, além disso, ainda tinha que se preocupar com os avanços de André Luís. Foi justamente depois de uma confusão entre os dois, com cartões para ambos, que o Guarani viveu seu momento mais delicado no primeiro tempo, com o adversário imprimindo o ritmo e dando trabalho a Agenor.
O segundo tempo do Alviverde foi praticamente apenas de destruição. Se antes do intervalo o lado direito ainda funcionava com investidas capazes de trazer desconforto ao rival, depois a equipe perdeu completamente o ímpeto e foi inofensiva. Foram apenas três finalizações e nenhuma no gol. Destaque na rodada anterior pelo número de chances que teve, Bruno Mendes passou despercebido. O atacante levou a pior na disputa com os zagueiro, com apenas uma tentativa de chute e nove perdas de posse. Além disso, era difícil segurar a bola lá na frente, com apenas 18% de posse no último terço.
Aos poucos, o domínio territorial dos donos da casa foi aumentando, mas a partida deixou de ser disputada no gramado e passou a ser uma batalha aérea. O Guarani, por exemplo, não chegou a 100 passes na etapa complementar, mas abusou dos lançamentos na tentativa de afastar a pressão, enquanto a Ponte Preta utilizava esse artifício como estratégia para ganhar a segunda bola.
À rigor, as únicas oportunidades realmente claras de gol foram na cabeçada de André Luís, numa bola parada, detida por Agenor, e depois com Junior Santos, que facilitou a recuperação de Ferreira. Além disso, os mandantes reclamam de um suposto pênalti de Ferreira sobre André Luís, que o auxiliar quis dar, mas o árbitro não acompanhou.
Embora oportunidades tenham sido raras, a defesa bugrina não teve um segundo de sossego, mas conseguiu cumprir com muita competência sua missão. O time bateu o recorde próprio de desarmes (21) e rebatidas (56). Nas duas estatísticas, o principal destaque foi o zagueiro Philipe Maia, com cinco roubadas de bola e 18 bolas afastadas da área bugrina.
Os instantes finais foram de muita apreensão, principalmente pela insistência da Ponte Preta em jogar a bola na área. Foram 12 cruzamentos nos 15 minutos finais, com direito a uma sequência de escanteios, mas a retaguarda do Guarani segurou a onda, o placar não foi mexido e valeu um ponto que, pelas circunstâncias da partida e pelo que defesa e ataque fizeram, ficou de bom tamanho para o Alviverde.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Ponte Preta 50,4% x 49,6% Guarani
Passes certos: Ponte Preta 244 x 235 Guarani
Passes errados: Ponte Preta 42 x 32 Guarani
Finalizações certas: Ponte Preta 4 x 2 Guarani
Finalizações erradas: Ponte Preta 7 x 6 Guarani
Desarmes: Ponte Preta 19 x 21 Guarani
Cruzamentos: Ponte Preta 26 x 15 Guarani
Lançamentos: Ponte Preta 48 x 59 Guarani
Escanteios: Ponte Preta 9 x 4 Guarani
Faltas cometidas: Ponte Preta 18 x 17 Guarani
Rebatidas: Ponte Preta 40 x 56 Guarani