O torcedor do Guarani certamente gostou da vitória com autoridade do time sobre o Coritiba, mas é possível dizer que o resultado na capital paranaense também provocou um misto de sentimentos. Você, bugrino, provavelmente deve ter se perguntado: ‘Por que o time não se comportou desse jeito nos jogos anteriores?’ ou ‘Como uma equipe que joga mal e tropeça contra São Bento, Boa Esporte e Oeste consegue se impor em pleno Couto Pereira diante de um Coritiba que, por mais que decepcione, é o quarto melhor mandante do campeonato?’
É difícil, para não dizer impossível, encontrar respostas satisfatórias para tais perguntas, mas o fato é que o Guarani que esteve em campo em Curitiba tranquilamente poderia estar no G4 da Série B. Com uma estratégia que funcionou exatamente da maneira planejada e uma jornada feliz dos escolhidos para atuarem, o Alviverde fez o resultado sem maiores problemas.
Mais do que tecnicamente superior ao adversário, o Bugre foi senhor do jogo pois taticamente engoliu os donos da casa. Ao apostar em Denner e Jefferson Nem, Umberto Louzer fortaleceu o meio-campo, ganhou o setor e ainda contou com válvulas de escape suficientes para colocar em prática a fórmula capaz de levar a melhor.
O primeiro tempo certamente entra na lista dos melhores momentos do time no campeonato. O Alviverde foi capaz de criar uma série de situações de gol e quase sempre dentro daquilo que se propunha. Deixar a bola com o Coritiba não foi um problema, mas o Guarani se postou de tal forma a não deixar que ela chegasse a quem pudesse articular o jogo. Assim, coube aos zagueiros do Coxa essa missão. Rafael Lima (69) e Alan Costa (67) foram os jogadores com mais passes certos na partida, mas sempre numa zona que não traria desconforto.
Com a bola ficando tanto nos pés dos dois atletas de linha mais recuados do adversário, um desarme é mortal. Com Willian Oliveira, Ricardinho e Denner na proteção, Matheus Anjos e Jefferson Nem tiveram liberdade suficiente para usar a velocidade e explorar espaços vazios. Não à toa, a participação ofensiva deles foi grande. Além de terem sido os protagonistas do segundo gol, a dupla também deu cinco assistências para finalização.
A ideia de não ficar tanto com a bola, mas ser incisivo com ela nos pés surtiu efeito prático. Dos 15 aos 30 minutos do primeiro tempo, por exemplo, o Guarani trocou apenas 25 passes, mas conseguiu impressionantes cinco finalizações e provocou dez perdas de posse do adversário. E foi justamente assim que saiu o gol que abriu o placar. Sem sentir a responsabilidade de disputar seu primeiro jogo como titular, Gabriel Poveda tomou a bola, com poucos toques abriu a jogada para Denner e apareceu na área para concluir de primeira e balançar a rede.
O segundo tempo foi um pouco diferente, mas só nos minutos iniciais. Com Alisson Farias e Chiquinho em campo, o Coritiba ganhou mais qualidade e poder ofensivo. Mesmo assim, só tentou levar algum perigo em bolas aéreas, mas encontrou a defesa bugrina bem postada. Após cinco partidas, o time voltou a terminar um jogo ser ser vazado, muito por conta das atuações seguras de Fabrício (oito rebatidas), Philipe Maia (seis rebatidas) e o trabalho incansável de Ricardinho, responsável por quatro desarmes.
A cada minuto a menos, a necessidade do Coritiba só aumentava e o nervosismo também. Naturalmente mais espaços apareceriam para o Guarani e a equipe, com maturidade que chamou atenção, só esperou essa brecha aparecer. Quando Matheus Anjos teve espaço para armar e Jefferson Nem para arrancar, o camisa 11 só precisou ser certeiro na finalização cara a cara com o goleiro para fazer 2 a 0 e liquidar a fatura.
Com o placar consolidado, o jogo não apresentou mais grandes variações. Tivesse mais apetite, o Bugre poderia até fazer um resultado mais dilatado, mas o time optou pela prudência. Para quem sofreu tanto nos últimos jogos com viradas ou gols no fim, abrir a possibilidade do Coritiba achar um gol era um risco desnecessário.
Com três pontos garantidos e a reabilitação garantida, o torcedor bugrino volta ao começo do texto e, até terça-feira, no jogo contra o Figueirense, possivelmente fará uma adaptação daquela pergunta. Será que esse time é capaz de repetir esse comportamento no jogo em Florianópolis e nos outros três até o término do campeonato? Se eles serão suficientes para provocar uma reviravolta e dar o Guarani o acesso só o tempo vai dizer, mas o sentimento de que noites como a de sábado poderiam ter acontecido mais vezes é algo que atormenta o torcedor.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Coritiba 59,3% x 40,7% Guarani
Passes certos: Coritiba 438 x 229 Guarani
Passes errados: Coritiba 40 x 32 Guarani
Finalizações certas: Coritiba 5 x 5 Guarani
Finalizações erradas: Coritiba 4 x 9 Guarani
Desarmes: Coritiba 5 x 12 Guarani
Cruzamentos: Coritiba 25 x 9 Guarani
Lançamentos: Coritiba 20 x 38 Guarani
Escanteios: Coritiba 6 x 6 Guarani
Faltas cometidas: Coritiba 11 x 17 Guarani
Rebatidas: Coritiba 15 x 28 Guarani