Antes de ir a campo para enfrentar o CSA, o Guarani teve alguns jogos ‘grandes’, daqueles cuja vitória serviria para firmar a posição do time como um real candidato ao acesso. Contra Fortaleza e Goiás, e também no Dérbi disputado fora de casa, a equipe teve essa possibilidade, mas não aproveitou. No sábado, o cenário se repetiu, mas dessa vez o Bugre não vacilou, superou traumas recentes e, com o triunfo por 1 a 0 no confronto direto, mostrou credenciais para almejar uma das quatro vagas.
Não foi uma atuação exuberante e, como destacado aqui no Nossa Taba após a partida contra o Juventude, nem deve se esperar isso nesse momento crucial da competição. O que precisa ser cobrado é cabeça no lugar, entrega, competitividade e organização, elementos que o Alviverde soube mostrar em diferentes fases do duelo contra os alagoanos.
O Guarani começou o jogo com a intensidade que precisava mostrar como dono da casa. Em cima do adversário desde o primeiro instante, a equipe teve um volume ofensivo parecido ao demonstrado contra o Atlético-GO, mas sem tantas oportunidades reais de gol. Nos primeiros 15 minutos, foram quatro finalizações, mas nenhuma certa, mais de 70% de posse de bola e 82 passes trocados contra 20 do CSA.
A imposição bugrina se baseava na marcação pressão que não deixava o rival respirar, muito por conta do apoio dos laterais e também a participação dos volantes. Ricardinho foi peça importante na infiltração e Willian Oliveira também apareceu arriscando a gol – foram duas finalizações do meio-campista.
Em determinado momento, porém, o Alviverde não conseguiu mais sustentar aquele abafa e o CSA foi encontrando brechas para sair da pressão. Essas brechas possibilitaram oportunidades, principalmente nas tentativas de fora da área. Em duas delas, uma de Daniel Costa e outra na violenta cobrança de falta de Pio, Agenor precisou intervir.
O equilíbrio que se esperava da partida começou a aparecer e o Guarani buscava meios de retomar o controle. Outra vez, não foi possível pelo ritmo de Rafael Longuine. Apesar de ter dado duas assistências para finalização, o artilheiro do time no torneio não chutou nenhuma vez e errou sete dos 24 passes que tentou.
Sem o brilho do camisa 10, coube ao lado direito do time fazer o serviço. Enquanto Pará e Jefferson Nem apareciam em momentos esporádicos, Kevin e Matheus Oliveira foram muito mais participativos. Por ali, o Guarani teve 42% de posse de bola no primeiro tempo e a dupla fez 17 combinações. Numa delas, treinada durante a semana, houve a tabela e Kevin, ao invés de um cruzamento, fez passe preciso e Bruno Mendes, outra vez decisivo, completou – foi a quarta assistência do lateral e o sexto gol do atacante na Série B.
Com a abertura do placar aos 30 minutos, a partida foi aos poucos ganhando outra cara. O Bugre abdicou da responsabilidade de propor jogo e passou essa obrigação ao CSA. Embora tenham terminado o primeiro tempo com menos posse de bola no geral, os alagoanos já tinham o controle das ações antes do intervalo.
Isso ficou escancarado de vez na etapa complementar. Enquanto o Guarani se retraía à espera de um contra-ataque, os visitantes rodavam a bola com a missão de furar o bloqueio defensivo montado. Apesar dos 65,6% de posse de bola no segundo tempo, a equipe comandada por Marcelo Cabo em momento algum foi capaz de apresentar volume ofensivo suficiente para deixar o Alviverde realmente desconfortável.
Como não conseguiu encaixar nenhum contra-ataque – as melhores chances foram a bola na trave de Matheus Oliveira e a finalização de Bruno Mendes na rede pelo lado de fora – e também não esfriou o jogo como deveria – o time bateu o recorde próprio de perdas de posse, com 39 – o Guarani precisou marcar e saber sofrer um pouquinho. A falta de eficiência do CSA ajudou nessa missão. O Azulão do Mutange finalizou cinco vezes no segundo tempo, mas nenhuma no alvo e o único risco real foi o chute de Didira que passou muito perto.
Outra vez bastante sólida e sem ser vazada, a defesa confirmou o momento de ascensão desde as estreias de Agenor e Fabrício. Com exceção da derrota para o Goiás, em todos os outros jogos com a dupla o time esteve bem organizado. Das 11 tentativas do CSA, por exemplo, apenas duas foram de dentro da área, o que comprova a dificuldade que os adversários têm tido em penetrar contra a retaguarda bugrina, que segurou as pontas para garantir o 1 a 0 magro, mas de importância enorme para a trajetória do time.
Com 44 pontos, o Guarani já nem fala mais em rebaixamento, afinal a permanência está garantida. Daqui pra frente, nas últimas 10 partidas, o papo é briga pelo acesso. Embora siga sem conseguir terminar uma rodada no G4, a diferença de apenas um ponto para o quarto colocado confirma que o Bugre está muito inteiro nessa briga. A vitória no confronto direto sobre o CSA foi a prova de afirmação da equipe como candidata ao acesso. E o duelo contra o Vila Nova, outro concorrente, pode consolidar ainda mais essa condição.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Guarani 46% x 54% CSA
Passes certos: Guarani 295 x 387 CSA
Passes errados: Guarani 34 x 55 CSA
Finalizações certas: Guarani 4 x 2 CSA
Finalizações erradas: Guarani 6 x 9 CSA
Desarmes: Guarani 13 x 17 CSA
Cruzamentos: Guarani 22 x 19 CSA
Lançamentos: Guarani 36 x 34 CSA
Escanteios: Guarani 6 x 2 CSA
Faltas cometidas: Guarani 12 x 10 CSA
Rebatidas: Guarani 34 x 29 CSA