Altos e baixos, defesa pouco confiável, queda de rendimento no segundo tempo e dificuldade para segurar resultados positivos. O Guarani apresentou tudo isso durante a Série B do Brasileiro e é por causa dessas deficiências que ainda não se consolidou como um real favorito ao acesso. Esse ainda, porém, pode ter começado a mudar porque o Bugre resolveu mostrar apenas o seu melhor em um jogo muito importante. Diante de um concorrente direto pelo G4 e às vésperas do Dérbi, o Alviverde sobrou contra o Atlético-GO e deu credenciais de quem pode sim sonhar com a elite em 2019.
O grande desempenho passa justamente por uma atuação coletiva extremamente consistente. Impossível apontar um atleta que tenha jogado mal. Todos os setores funcionaram e permitiram uma superioridade completa durante toda a partida. O desgaste pela sequência de jogos e a viagem de São Luís não pesaram e nem a proximidade do clássico com a Ponte Preta de alguma forma interferiu.
Dessa vez, ao invés de uma análise cronológica da partida, o Nossa Taba divide a avaliação, baseada nas estatísticas, de acordo com cada setor. E começamos lá da frente porque o ataque bugrino enlouqueceu os goianos. Foram incríveis 24 finalizações no total, sendo 13 certas, o que representa não apenas o recorde do Guarani, mas o número mais alto de conclusões ao gol adversário em um mesmo jogo de toda a Série B.
O volume ofensivo foi impressionante e regular. Dos primeiros minutos até a reta final, a equipe criou chances atrás de chances e por pura falta de sorte e um pouquinho de capricho não construiu uma goleada histórica. Foram 11 tentativas no primeiro tempo e 13 no segundo, com quatro bolas na trave, defesas do goleiro e outros lances em que faltou calma e precisão na tomada de decisão.
Quem se esbaldou com tanta oportunidade criada foi Bruno Mendes. O atacante, que ainda não engrenou no campeonato, foi participativo ao extremo. Teve oito finalizações, exatamente o dobro de todo o time do Atlético-GO. Desse total, seis foram em direção ao gol. Além da bola que entrou no primeiro tempo, o camisa 9 colocou três na trave e ainda parou no goleiro adversário.
Quem rodeou o centroavante também deu conta do recado. Embora tenha caído de rendimento no decorrer do segundo tempo, Rondinelly foi o líder em assistências para finalização, com quatro chances criadas. Bruno Xavier, pela direita, e Jefferson Nem, pela esquerda, também tiveram contribuição muito importante. Além de terem iniciado a jogada do primeiro gol, juntos somaram seis finalizações e três assistências para finalização.
Para fazer a bola chegar lá na frente, porém, o ataque contou com um auxílio e tanto dos laterais e volantes. Kevin e Pará serviram como desafogo para a saída de bola, apoiaram demais o setor ofensivo e também estiveram entre aqueles que mais chances criaram. No meio, Fabrício Bigode e Ricardinho foram as figuras de equilíbrio. O primeiro acertou 45 de 46 tentativas de passe e o segundo teve sucesso em 58 de 60. Além disso, também chegaram à frente – Fabrício Bigode sofreu a falta que originou o segundo gol e Ricardinho acertou a trave no início da etapa complementar.
Com ataque e meio afinados, faltava a defesa ter um rendimento condizente e isso aconteceu. Em que pese o fato do massacre do Guarani praticamente não ter permitido que o Atlético-GO respirasse – o Bugre teve 32% de posse de bola no último terço contra 21% do rival -, quando o Dragão conseguiu sair de trás e tentou alguma investida, encontrou a retaguarda bugrina muito bem protegida e segura.
Pelas estatísticas, quem reinou soberano foi Fabrício. Em sua segunda partida como titular, o beque não perdeu um duelo contra Júnior Brandão, que era até então um dos artilheiros do campeonato. O camisa 4 bugrino terminou a partida como o líder de desarmes do confronto (três) e o primeiro em rebatidas de sua equipe (11).
Visivelmente mais confiante do que em outros jogos, Philipe Maia não repetiu o nível de atuação do parceiro, mas mostrou segurança para evitar as tentativas adversárias. Tudo isso facilitou demais a vida de Agenor. O goleiro bugrino teve três finalizações contra seu gol, sendo apenas uma de dentro da área. Sendo assim, não precisou fazer nenhuma defesa difícil e, após duas partidas, segue sem ser vazado.
Com os três setores equilibrados e coordenados, o Guarani fez uma atuação que, comparada a outras recentes, beirou à perfeição. Logicamente que jogar dessa forma toda rodada é impossível, mas a equipe teve, num jogo grande e altamente competitivo, uma mostra de que ainda há muito potencial a ser explorado. O desempenho não pode iludir, mas com esse modelo a ser seguido e a consciência de que o nível de concentração precisa sempre ser alto, o Bugre pode embalar.
E tem, no sábado, numa partida com outro clima e uma atmosfera contrária, uma oportunidade de ouro para comprovar que a noite de 21 de agosto não foi apenas uma jornada feliz, mas sim um indício de quem quer realmente brigar pelo acesso.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Guarani 55% x 45% Atlético-GO
Passes certos: Guarani 425 x 379 Atlético-GO
Passes errados: Guarani 36 x 40 Atlético-GO
Finalizações certas: Guarani 13 x 3 Atlético-GO
Finalizações erradas: Guarani 11 x 1 Atlético-GO
Desarmes: Guarani 12 x 9 Atlético-GO
Cruzamentos: Guarani 32 x 18 Atlético-GO
Lançamentos: Guarani 31 x 41 Atlético-GO
Escanteios: Guarani 10 x 3 Atlético-GO
Faltas cometidas: Guarani 13 x 12 Atlético-GO
Rebatidas: Guarani 32 x 35 Atlético-GO