O Guarani teve tudo para emendar a terceira vitória consecutiva, derrubar o líder e finalmente entrar pela primeira vez no G4 da Série B do Brasileiro, mas panes em momentos cruciais custaram tudo isso ao Bugre, que foi derrotado por 3 a 2 para o Fortaleza, em pleno Brinco de Ouro, e terminou a primeira rodada do returno apenas na nona colocação e mais uma vez com o sentimento amargo de ter deixado escapar um resultado positivo que estava em suas mãos.
As panes do time apareceram apenas no segundo tempo porque a atuação na etapa inicial foi praticamente impecável. Começou na disputa de estratégias dos dois treinadores. Umberto Louzer colocou Felipe Rodrigues para fortalecer o lado direito contra um corredor esquerdo muito forte do adversário. O problema é que a peça que do Fortaleza capaz de causar desequilíbrio por ali, que é Marcinho, começou no banco de reservas.
Sem esse cara que incomodasse, Kevin e Felipe Rodrigues tiveram menos preocupações defensivas e formaram uma dobradinha que se entendeu no início. Juntos, fizeram dez combinações e numa delas Felipe fez cruzamento certeiro para a cabeçada de Bruno Mendes que abriu o placar.
Foi um primeiro tempo de domínio de posse de bola dos visitantes, mas sem agressividade. O Fortaleza teve 61% de posse de bola nos 45 minutos iniciais, mas apenas 23% desse tempo no último terço do campo. Das seis finalizações que tentou, apenas uma foi em direção ao gol e isso antes dos dez minutos. Sem espaço para penetrações, a equipe cearense abusou dos cruzamentos – foram 18 no primeiro tempo – sem um cabeceador nato e isso facilitou o trabalho da defesa bugrina.
Rogério Ceni tentou arrumar antes do intervalo o que vinha dando errado com a entrada de Marcinho no lugar do zagueiro Adalberto, mas a essa altura o Guarani já estava bem confortável. Mesmo trocando muito menos passes – apenas 136 – o time foi vertical e objetivo na etapa inicial, com cinco finalizações, sendo quatro certas. Quando a transição funcionou, veio o segundo gol. Escalado no corredor esquerdo, Matheus Oliveira apareceu menos que de costume – uma assistência para finalização e duas finalizações – mas quando ele caiu pelo lado direito, exigiu defesa parcial de Marcelo Boeck e o rebote se ofereceu para Rafael Longuine ampliar.
O 2 a 0 com uma atuação sólida, praticamente sem sustos e uma estratégia que funcionava era o cenário dos sonhos para o Bugre, que, sabendo se segurar, teria muito espaço no segundo tempo para construir uma vantagem até maior. Foi então que as panes começaram a dar as caras e transformar uma vitória encaminhada num tropeço inacreditável.
Tudo começou aos 3 minutos, quando Rafael Longuine errou passe no meio-campo – foram seis no total do camisa 10 bugrino. Felipe aproveitou o contra-ataque, carregou com liberdade e mandou no cantinho direito de Oliveira, que não conseguiu evitar. O gol assustou os donos da casa, que até os 15 minutos praticamente não saíram de seu campo. Foram apenas 19 passes certos no período, sete perdas de posse e uma blitz do Fortaleza.
Quando assimilou o golpe, o Guarani conseguiu voltar para o jogo. Era verdade que a posse de bola continuava em domínio do adversário, mas o Bugre já saía lá de trás para gerar algum desconforto. Durante um bom tempo, os cearenses não conseguiram rondar perigosamente a meta defendida por Oliveira. Mais uma vez, porém, faltou ao Alviverde apetite. A inaceitável acomodação com o placar impediu que a equipe conseguisse liquidar a partida. Apesar das chances em chute cruzado de Rafael Longuine e uma cabeçada de Philipe Maia, o time pouco finalizou – apenas duas conclusões certas, metade do que teve antes do intervalo.
À essa altura, o Fortaleza já tinha se exposto por completo, com as entradas de Gustavo e Wilson. A presença de dois centroavantes para povoar a área exigiria muito mais concentração e atenção da defesa bugrina. Quando o relógio marcou 40 minutos, a equipe voltou a sofrer uma pane generalizada e o sistema defensivo, que vinha funcionando bem, sucumbiu.
Na única finalização certa no segundo tempo até aquele momento, os visitantes haviam descontado o placar. E nas duas seguintes conseguiram a improvável virada em lances parecidos. Em dois cruzamentos – um de cada lado – a bola ficou viva na área sem que ninguém tirasse. Primeiro Gustavo ajeitou, Philipe Maia não afastou e o próprio atacante aproveitou. Depois, Kevin não impediu o cruzamento de Wilson, Marlon teve liberdade para ajeitar e Marcinho completou para o fundo da rede.
Foi um verdadeiro balde de água fria no torcedor bugrino que, incrédulo, viu três pontos certos e a entrada no G4 escorrerem pelos dedos. Mais uma vez, os minutos finais foram um pesadelo, tanto quanto a incapacidade da equipe em conseguir definir uma partida e mais ainda em não ter a frieza necessária para segurar o resultado positivo. Defeitos graves e que podem custar muito caro lá na frente.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Guarani 41% x 59% Fortaleza
Passes certos: Guarani 258 x 430 Fortaleza
Passes errados: Guarani 46 x 61 Fortaleza
Finalizações certas: Guarani 6 x 4 Fortaleza
Finalizações erradas: Guarani 5 x 7 Fortaleza
Desarmes: Guarani 15 x 8 Fortaleza
Cruzamentos: Guarani 22 x 31 Fortaleza
Lançamentos: Guarani 45 x 33 Fortaleza
Escanteios: Guarani 4 x 6 Fortaleza
Faltas cometidas: Guarani 7 x 12 Fortaleza
Rebatidas: Guarani 29 x 39 Fortaleza