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Estatísticas

Guarani 2 x 1 Brasil: o que as estatísticas mostram

Brilho individual de Longuine salva mais uma atuação inconsistente

Rafael Longuine finalizou cinco vezes no jogo contra o Brasil: desse total, duas pararam na rede e outras duas acertaram a trave adversária (Foto: Letícia Martins/Guarani Press)

O Guarani precisou de luta, entrega e muito suor para conseguir se desdobrar com um a menos em campo desde os 19 minutos do segundo tempo e evitar um novo tropeço em casa – seria o quinto nos últimos seis jogos. Só isso, porém, não seria suficiente. Foi preciso também uma dose de talento entregue por Rafael Longuine. Com excelente atuação, a sua melhor pelo clube, o meia decidiu a partida, salvou mais uma atuação inconsistente do Bugre e impediu que o ambiente ficasse ainda mais conturbado.

Das três mudanças feitas por Umberto Louzer, duas eram esperadas. Philipe Maia ficou com a vaga do instável Edson Silva e Marcão foi naturalmente o substituto do suspenso Bruno Mendes. Chamou mais a atenção mesmo a escolha por Rondinelly em detrimento de Erik, Caíque ou até Guilherme. A ideia do treinador era ter qualidade de passe e aproximação entre os meias contra um adversário que teoricamente viria todo fechado.

Mas não foi assim nos primeiros minutos. Com um jogo bastante físico, o Brasil tentou competir de igual para igual nos primeiros 15 minutos. Finalizou, levou perigo num chute travado por Éverton Alemão e fez os donos da casa perceberem que não seriam presas fáceis.

Quando o Guarani tomou as rédeas da partida, aí sim os gaúchos colocaram em prática a estratégia esperada. Linhas baixas, impedindo as jogadas de infiltração e penetração. O Guarani teve 58% de posse de bola na etapa inicial e, com Longuine e Rondinelly, ganhou em aproximação, mas perdeu em velocidade. Os dois até trocaram de posição algumas vezes, mas as combinações não saíam e o jogo ficava afunilado pelo meio.

Sem ter por onde entrar na retaguarda rival, a saída foi tentar de longa distância. Das 11 finalizações do Alviverde no primeiro tempo, oito foram de fora da área, sendo quatro que foram em direção ao gol. A melhor delas havia sido com Rafael Longuine, em pancada que parou no pé da trave esquerda.

Nos últimos 15 minutos, a equipe aumentou seu volume ofensivo, mas o 0 a 0 já incomodava o torcedor até o momento em que sobrou coragem e qualidade para arriscar algo diferente. O passe vertical de Willian Oliveira entre as linhas de marcação encontrou Matheus Oliveira. Ele poderia dominar de costas para o gol e tentar armar a jogada, mas foi hábil ao deixar de calcanhar e Longuine certeiro para bater no canto e abrir o placar no lance mais bem trabalhado do primeiro tempo.

Quando a bola voltou a rolar após o intervalo, o Guarani que retornou a campo era o mesmo em peças, mas adotou uma postura completamente diferente. Satisfeito com o 1 a 0, se retraiu e chamou o Brasil de Pelotas. Os visitantes aceitaram o convite e o domínio da partida mudou de mãos. Havia, porém, um grande problema. Com os jogadores que tinha, o Bugre era um time para controle das ações e não de velocidade no contra-ataque.

Sem conseguir fazer nem uma coisa, nem outra, o Alviverde ficou sem ímpeto e complicou a partida. Foi então que o Brasil também encaixou uma boa jogada coletiva e empatou o jogo após o cruzamento de Éder Sciola, o escorregão de Éverton Alemão e a conclusão de Lourency.

Era hora de retomar a proposta inicial e agredir o adversário, mas as coisas não aconteceram exatamente assim. Primeiro porque o time perdeu um dos atletas que mais produzia ofensivamente. Responsável por cinco assistências para finalização, incluindo a do gol, Matheus Oliveira deixou o campo para a entrada de Erik. Rondinelly não saiu por opção, mas logo depois deu um prejuízo danado ao time. O meia, que teve uma finalização o jogo inteiro e ofensivamente foi praticamente nulo, cometeu duas faltas quase que seguidas e foi expulso, deixando o Bugre com dez.

O nervosismo bateu forte na equipe. Sem conseguir decidir se pressionava em busca do gol ou tomava cuidado para não tomar a virada, o Alviverde entrou em parafuso. As mudanças pouco contribuíram para a melhora da equipe. Erik conseguiu apenas uma boa jogada, que resultou na falta que Longuine mandou no travessão, mas outra vez foi quem mais teve perdas de posse (seis). O jovem Gabriel Poveda foi esforçado, mas não aguentou o ritmo que a partida pedia.

Na verdade, quem poderia mudar a partida já estava em campo. Na pilha de nervos que entrou o Guarani após a expulsão, dois jogadores conseguiram se sobressair. O volante Willian Oliveira continuou fazendo o time andar e outra vez teve grande eficiência nos passes (acertou 45 de 47). E foi ele quem, após começar a jogada do primeiro gol, fez aos 41 minutos o passe para Rafael Longuine. O camisa 10, que já havia anotado um gol e colocado duas bolas na trave em três das suas quatro finalizações anteriores, coroou a exuberante atuação com uma pancada que foi parar no ângulo esquerdo para definir o placar e salvar o dia no Brinco de Ouro.

Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)

Posse de bola: Guarani 50% x 50% Brasil
Passes certos: Guarani 294 x 323 Brasil
Passes errados: Guarani 38 x 36 Brasil
Finalizações certas: Guarani 6 x 3 Brasil
Finalizações erradas: Guarani 9 x 8 Brasil
Desarmes: Guarani 15 x 19 Brasil
Cruzamentos: Guarani 22 x 27 Brasil
Lançamentos: Guarani 42 x 34 Brasil
Escanteios: Guarani 8 x 5 Brasil
Faltas cometidas: Guarani 14 x 14 Brasil
Rebatidas: Guarani 42 x 29 Brasil

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