Umberto Louzer tem por hábito utilizar, em suas entrevistas, a mesma expressão em momentos diferentes. Nos últimos 30 dias, antes de quinta-feira, período em que o Guarani havia empatado quatro jogos seguidos pela Série B, repetidas vezes o treinador falou em aliar resultado e performance. Estava difícil isso acontecer, mas finalmente o Bugre seguiu o ‘mantra’ de seu comandante em Barueri. A vitória contra o Oeste apresentou a atuação mais consistente da equipe no campeonato e, sob alguns aspectos, pode servir como padrão para a sequência do Brasileiro.
Outra vez com várias modificações na equipe titular, entre elas com a presença de três jogadores que nunca haviam começado uma partida, a expectativa era de que o time fosse demorar a achar um encaixe e passasse por alguns apuros. No primeiro tempo, porém, com exceção de uma cabeça defendida por Oliveira aos dois minutos e uma escapada nas costas de Pará, o Guarani não foi ameaçado.
É verdade que o gol anotado logo cedo ajudou na estratégia traçada, mas a equipe não se omitiu. Dividiu a posse de bola com o adversário na etapa inicial (55% a 45% favorável ao Oeste) e travou completamente as ações do adversário. Os donos da casa tiveram apenas 14% de posse de bola no último terço de campo nos 45 minutos iniciais, enquanto o Guarani conseguiu 23% e ainda foi superior no número de finalizações até o intervalo (5 a 3).
O principal mérito do Bugre foi ter o controle do meio-campo, personificado na figura de Willian Oliveira. O volante estreou, mas parecia atuar na equipe há mais tempo e ocupou praticamente todos os espaços em seu setor. De 45 passes, acertou 40 e era o jogador mais procurado pelos laterais. Útil na saída de jogo, foi o líder em passes para finalização da equipe (2), mas também fez bem sua parte na fase defensiva. Willian terminou a partida com dois desarmes e três interceptações.
Quem também apresentou números satisfatórios, sobretudo no primeiro tempo, foi Denner. Além de participar com o cruzamento que resultou no gol contra de Daniel Borges, ele também foi o mais efetivo em número de passes (41 certos em 45 tentados), liderou em desarmes ao lado de Edson Silva (três cada um), além de tentar três finalizações.
Depois do intervalo, o Guarani precisou demonstrar outra faceta. Mais pressionado pelo Oeste, que resolveu se lançar à frente, o Alviverde resolveu que era preciso saber sofrer. E conseguiu. Com pouca posse de bola (39%) e nenhuma finalização certa, o time não obrigou o goleiro adversário a fazer nenhuma defesa e precisou se virar lá atrás para conter as investidas adversárias.
Mais uma vez, o meio-campo funcionou bem, mas com contribuição decisiva da linha de quatro lá atrás. Os donos da casa chegaram a trocar 103 passes nos primeiros 15 minutos do segundo tempo, mas com apenas uma finalização certa e que foi de fora da área. Das 16 tentativas de chutes do Oeste, apenas três em direção ao gol aconteceram dentro da área.
O bom rendimento na marcação rendeu alguns números interessantes ao Bugre. Foi a partida na Série B em que a equipe teve mais bloqueios de finalização (9) e a segunda com mais desarmes (17), sendo que os quatro defensores acumularam pelo menos dois roubos de bola. Nas rebatidas, Edson Silva dominou o fundamento com 11, enquanto o companheiro de zaga Éverton Alemão somou mais cinco.
Na parte final do jogo, Umberto Louzer já havia promovido as entradas de Rondinelly e Caíque. Com o primeiro, esperava ganhar em posse de bola e controle no campo ofensivo, enquanto o segundo poderia provocar uma puxada de contra-ataque. Os últimos 15 minutos foram de tentativa de imposição do Oeste, mas isso não se confirmou. A estratégia de controlar a partida o mais longe possível do gol funcionou para o Bugre, que conseguiu seu maior índice de passes certos (70) nesse período, além de cinco desarmes e provocar 12 perdas de posse do adversário.
Contra o Vila Nova, o Bugre não teve frieza para segurar o resultado. Diante do São Bento buscou mudar sua característica sem que isso surtisse efeito. No empate com o Avaí, a oscilação cobrou seu preço e, no tropeço frente ao Boa Esporte, a equipe não soube liquidar a partida e vacilou outra vez. Nada disso aconteceu em Barueri e, por méritos, o Guarani voltou a saborear a vitória e pôde ir para casa com os três pontos.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Oeste 57,7% x 42,3% Guarani
Passes certos: Oeste 444 x 289 Guarani
Passes errados: Oeste 44 x 45 Guarani
Finalizações certas: Oeste 6 x 3 Guarani
Finalizações erradas: Oeste 10 x 5 Guarani
Desarmes: Oeste 10 x 17 Guarani
Cruzamentos: Oeste 19 x 11 Guarani
Lançamentos: Oeste 34 x 44 Guarani
Escanteios: Oeste 5 x 2 Guarani
Faltas cometidas: Oeste 12 x 18 Guarani
Rebatidas: Oeste 29 x 30 Guarani