Após 12 rodadas da Série B do Brasileiro, o Guarani tem a oscilação como marca registrada. Foram inúmeras vezes em que o Nossa Taba destacou essa característica e a facilidade com que o time consegue variar de postura durante as partidas. Nada, porém, se compara ao que aconteceu em Florianópolis. Dentro do mesmo jogo, o Bugre teve a proeza de apresentar o seu pior e o seu melhor desempenho no campeonato e o empate com o Avaí em 3 a 3 deu a dimensão exata de como a equipe se transformou de um tempo para outro.
Umberto Louzer estudou com afinco o adversário e montou o Guarani de acordo com a forma de atuar do Avaí. Na teoria, a intenção era válida, mas o técnico não contava com o fato de que sua equipe executasse tão mal a estratégia proposta. O Avaí não fugiu do seu jeito. Com os alas bem espetados, apostou nos lados do campo e logo percebeu que o caminho era explorar a fragilidade defensiva de Pará. Foi por lá que os catarinenses mais ficaram com a bola (42% do total) e por onde criaram suas principais chances.
A dobradinha entre Guga e Renato, que fizeram 12 combinações, deu enorme trabalho ao Bugre e todos os lances perigosos tiveram um dos dois como protagonistas. Além de marcar mal e ser acuado, o Alviverde em momento algum conseguiu de desvencilhar da pressão, já que a saída de bola era extremamente falha. Terminou o primeiro tempo sem nenhuma finalização certa, abusou dos lançamentos (28 dos 46 que tentou) e viu Rafael Longuine, Caíque e Bruno Mendes baterem sem cabeça, já que apenas 17% dos passes foram trocados no último terço.
Quando tentava trabalhar a bola no chão, o Avaí era facilmente neutralizado e o Guarani até conseguiu um bom índice de desarmes (14, segundo maior do campeonato). O problema foi quando os donos da casa utilizavam a já manjada virada de jogo que pega o lado contrário do adversário desprotegido. Assim Renato apareceu nas costas de Pará e abriu o placar. Pelo lado do lateral-esquerdo bugrino já havia sido criada uma jogada que terminou com a bola na trave e, depois do gol, Bruno Brígido trabalhou em cruzamento que também saiu dali. No segundo gol, nenhum dos três volantes acompanhou Judson, que acertou lindo chute para ampliar.
O cenário era absolutamente desfavorável e parecia praticamente impossível acreditar numa reação. Umberto Louzer, porém, não desistiu da partida. Ao apostar em Bruno Nazário, mudou a configuração tática, ganhou qualidade e viu o jogo tomar outro rumo. Mesmo sem estar em plenas condições físicas – o planejamento era de que jogasse entre 20 e 25 minutos -, o meia foi decisivo.
Antes de falar só dele, é preciso ressaltar o impacto que a mudança trouxe em outros setores. Ricardinho fez as vezes de Nazário e qualificou a saída de bola, permitindo também que Denner pudesse distribuir o jogo. A equipe ganhou compactação ofensiva, adiantou a marcação e definitivamente ocupou o campo adversário. O erro de Aranha e o lance perdido por Rafael Longuine no primeiro minuto foram um indício do que viria.
Bruno Nazário comandou as ações. Foi o líder em chances criadas do time – deu o passe do primeiro gol de Caíque e ainda contribuiu com mais duas assistências para finalização. Além disso, o Guarani ganhou um condutor de bola capaz de ditar o ritmo. Nos primeiros 20 minutos da etapa final, o Bugre viveu um momento iluminado. Permitiu apenas 19 trocas de passes do Avaí e conseguiu suas quatro finalizações certas da partida – mais eficiente, balançou a rede em três dessas oportunidades, todas com participação de Nazário, inclusive na linda jogada do terceiro gol, que contou com envolvente troca de passes para executar o contra-ataque.
Quando conseguiu a improvável virada, o Alviverde se preparou para a já esperada pressão do Avaí. Os visitantes não se retrancaram, mas viam no contra-ataque a chance de liquidar a partida. O problema é que nem houve tempo de saborear o comando do placar. Isso porque numa falta, outra vez surgida pelo esquerdo da defesa, Beltrán recebeu cruzamento e deixou tudo igual.
O 3 a 3 deixou o jogo ainda mais aberto – se é que isso era possível. Com o 3-4-3 do Avaí desfeito, Louzer apostou em Erik para explorar as descidas de Guga, mas o atacante entrou mal novamente e não conseguiu produzir. Na verdade, pouca gente produziu. Cada time teve dez perdas de posse nos 15 minutos finais. O Guarani tentava se livrar da bola e tirar o adversário do seu campo, enquanto os catarinenses, sempre pela direita, não desistiram. Os instantes finais foram de controle total dos donos da casa e a bola do jogo se ofereceu a Capa, mas ele não aproveitou e fez do 3 a 3 um empate justo pelos dois tempos distintos.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Avaí 52% x 48% Guarani
Passes certos: Avaí 278 x 286 Guarani
Passes errados: Avaí 34 x 43 Guarani
Finalizações certas: Avaí 8 x 4 Guarani
Finalizações erradas: Avaí 8 x 6 Guarani
Desarmes: Avaí 13 x 14 Guarani
Cruzamentos: Avaí 29 x 17 Guarani
Lançamentos: Avaí 37 x 46 Guarani
Escanteios: Avaí 7 x 5 Guarani
Faltas cometidas: Avaí 16 x 19 Guarani
Rebatidas: Avaí 23 x 35 Guarani