O Guarani não terá vida fácil na terça-feira. Além de desafiar o Avaí, que é vice-líder, vem embalado e joga em casa, o time se confrontará com um adversário dono de uma característica que o Bugre ainda não encontrou na Série B do Brasileiro. Diferentemente das outras equipes, os catarinenses atuam com três zagueiros e tem um jogo muito forte pelos lados do campo. Na busca por um antídoto a essa forma de atuar, o técnico Umberto Louzer já definiu a estratégia: um esquema ‘espelhado’ e uma equipe que não abdique de também agredir.
Após assumir o cargo no lugar de Claudinei Oliveira, Geninho implantou o sistema de imediato e tem obtido bons frutos. Adepto desse estilo desde que foi campeão brasileiro com o Atlético-PR em 2001, o treinador aposta num jogo de transição muito rápida e que tem os dois alas como principais válvulas de escape.
Guga, pelo lado direito e Capa, pelo lado esquerdo, tem a responsabilidade de recompor, mas muita liberdade para atacar. Não à toa, juntos já marcaram três gols e são os que mais possuem assistências para finalização – Capa com 25 e Guto com 20. Além disso, são constantes as combinações ofensivas com Rômulo e Renato, que jogam mais à frente.
Pelas estatísticas do Footstats, o Avaí é o time com mais finalizações (64) e é dono do segundo melhor ataque da Série B (19 gols). Isso sem ter tanto controle do jogo. Segundo time que menos troca passes (2.497), os catarinenses apostam nesse jogo de amplitude, alargando o campo. Não à toa, lideram também as estatísticas de lançamentos certos (172) e viradas de jogo certa (33).
O que fazer para enfrentar um time que joga desse jeito? O técnico Umberto Louzer teve poucas sessões de treinos para trabalhar sua equipe, mas tentou desenhar um antídoto a essa estratégia. Em campo, o provável posicionamento inicial é o 4-1-4-1, com Baraka mais preso e Caíque, Ricardinho, Denner e Rafael Longuine formando a segunda linha de quatro.
Será comum, porém, ver Baraka recuando para formar uma linha de três ao lado de Philipe Maia e Edson Silva, ou até de cinco, com o incremento dos laterais Kevin e Pará. A ideia é espelhar a estrutura tática do adversário para impedir que haja superioridade nos setores.
“Com o Baraka a gente ganha organização. Ele treinou nessa formação de entrar na defesa para dar mais amplitude ao campo e deixar nossos laterais mais próximos da formatação da equipe deles. Ampliamos o campo e não desfiguramos nossa linha de quatro. Estamos optando justamente por isso”, detalha o comandante bugrino.
Louzer também descarta um comportamento defensivo. Apesar da linha de cinco atrás poder indicar uma preocupação maior com a defesa, será preciso atitude e organização para, com a bola nos pés, saber explorar os espaços deixados pelos donos da casa.
“É aquilo que sempre falo. Dentro e fora de casa precisamos ter a mesma maneira de jogar. Não é porque é fora que vamos observar o adversário, abrir mão de jogar ofensivamente e esperar o erro. Não gosto dessa estratégia. Gosto que meu time jogue e crie dificuldade. Assim, vamos poder surpreendê-los”, destaca o treinador.
Avaí e Guarani se enfrentam na terça-feira, às 21h30, na Ressacada, em Florianópolis. Na 9ª colocação, com 15 pontos, o Bugre vem de dois empates consecutivos em casa e busca a recuperação longe de seus domínios. Já o Avaí, vice-líder do campeonato com 21, quer seguir firme dentro do G4 do torneio.