O Vila Nova terminou o jogo com mais posse de bola (53% a 47%), passes certos (278 a 198) e finalizações (14 a 12), mas o sentimento de jogadores e comissão técnica do Guarani após o empate em 1 a 1 na noite de sexta-feira, no Serra Dourada, foi de que, em vez de um ponto, dava para levar de Goiânia os três. Numa análise geral da partida, foi o Bugre quem mandou por mais tempo, mas um vacilo justamente no momento mais favorável do jogo, foi o suficiente para mudar o roteiro e tornar o resultado fora de casa interessante.
A partida começou num ritmo bem interessante, com os times se estudando, mas ao mesmo tempo com coragem para agredir. Quando o jogo começou a esquentar de vez, a queda de energia no estádio esfriou os ânimos e, por 27 minutos, paralisou o duelo. Umberto Louzer aproveitou a interrupção para bater um papo com os atletas e, após o reinício do jogo, o Bugre começou a tomar conta.
É verdade que o Vila Nova tentou esboçar uma pressão assim que a bola voltou a rolar, com quatro finalizações – todas erradas – num espaço de 15 minutos. Foi então que o Alviverde, depois de ficar um bom tempo apostando num jogo direto, baseado em lançamentos (foram 49 no jogo), passou a forçar um pouco mais o jogo pelo lado direito com Felipe Rodrigues e Matheus Oliveira, além do auxílio de Rafael Longuine e a projeção de Ricardinho. Felipe e Matheus foram os atletas com mais combinações entre si (12). Cada um teve uma boa chance até que, juntos, foram protagonistas do gol que abriu o placar. A batida de falta certeira do meia encontrou o lateral-direito nas costas da defesa para completar para o fundo da rede.
O momento era todo favorável aos visitantes e o Guarani não deixou o ritmo cair na volta do intervalo. Com inteligência, se concentrou em explorar o erro do adversário. Enquanto o Vila Nova tentava se impor, os contra-ataques eram armas interessantes do Bugre, que teve até a oportunidade de fazer o segundo, mas não acertou nas possibilidades que teve.
A grande maioria dos 12 mil presentes ao Serra Dourada, que até aquele momento apoiavam bastante os goianos, começaram a se incomodar com a atuação da equipe e com o fato de o visitante se sentir tão à vontade em campo. A lentidão em excesso do Vila, aliada às tomadas de decisões erradas, pareciam um prato cheio para o Alviverde liquidar logo a fatura. O futebol, porém, é imprevisível e foi justamente nesse momento que veio o empate num conjunto de deficiências na marcação bugrina, que até então praticamente não havia falhado. Alan Mineiro recebeu com liberdade para fazer o cruzamento, o zagueiro Fabrício não acompanhou e Rafael Silva empatou.
O gol transformou a atmosfera e elevou a temperatura do Serra Dourada. As cobranças dos torcedores voltaram a virar apoio, os donos da casa cresceram e foi a vez do Bugre perder a calma dentro de campo. Foram cerca de 20 minutos de domínio territorial e pressão. Acuado, o Guarani não conseguia responder. No segundo jogo em que menos trocou passes certos e um dos que mais teve perdas de posse (36), a equipe parou de incomodar e ainda escapou da virada quando a trave salvou o gol de Geovane.
Umberto Louzer tentou usar o banco de reservas para ajustar a equipe, sobretudo do meio pra frente. As entradas de Bruno Xavier, Caíque e Rondinelly não foram decisivas, mas pelo menos ajudaram a deixar a equipe um pouco mais encorpada. Xavier conseguiu puxar alguns contra-ataques e Rondinelly conseguiu segurar um pouco mais o jogo. Apesar disso, Bruno Mendes teve uma noite em que mais lutou do que participou – o centroavante, que havia marcado nos três compromissos anteriores – só teve uma finalização.
Os últimos minutos curiosamente foram parecidos com os 15 primeiros. Embora sem a mesma volúpia, o Vila Nova continuou tentando, mas o Guarani, já mais assentado em campo, também arriscou. Foram quatro finalizações dos goianos contra três do Bugre na parte final do jogo, mas ninguém mais conseguiu mexer no placar.
Para quem olha o copo meio cheio, um empate fora de casa contra um concorrente direto e com parte do segundo tempo de pressão, o resultado é considerado valioso nessa luta pelo acesso. Aos que enxergam o copo meio vazio, o Guarani deixou escapar a chance da vitória quando foi, na maior parte do tempo, superior. Opiniões à parte, alguns fatos são claros: o Bugre ainda não terminará uma rodada no G4 e ainda aguarda outros concorrentes para saber as consequências da rodada. Mas, conseguindo fazer o dever de casa como havia feito contra Juventude e CSA, e seguindo competitivo fora como vem sido – só não pontuou uma vez nos últimos dez jogos como visitante -, o clube tem tudo para brigar pelo acesso.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Vila Nova 53,2% x 46,8% Guarani
Passes certos: Vila Nova 278 x 198 Guarani
Passes errados: Vila Nova 46 x 31 Guarani
Finalizações certas: Vila Nova 4 x 4 Guarani
Finalizações erradas: Vila Nova 10 x 8 Guarani
Desarmes: Vila Nova 8 x 16 Guarani
Cruzamentos: Vila Nova 18 x 18 Guarani
Lançamentos: Vila Nova 37 x 49 Guarani
Escanteios: Vila Nova 4 x 7 Guarani
Faltas cometidas: Vila Nova 19 x 12 Guarani
Rebatidas: Vila Nova 51 x 18 Guarani