Não que o critério de desempate vá ser um fator decisivo para determinar um futuro acesso lá na frente, mas o Guarani desperdiçou uma chance valiosa de elevar consideravelmente seu saldo de gols na partida contra o Sampaio Corrêa. Diante de um adversário frágil e totalmente desencontrado, o Bugre jogou para o gasto no sábado, em São Luís, ainda flertou com o perigo e não conseguiu uma vitória mais tranquila porque não teve fome para golear os donos da casa.
O Alviverde foi superior em todas as principais estatísticas. Teve mais posse de bola, trocou mais passes, conseguiu mais finalizações, desarmou mais e, sempre que quis, mandou no confronto e fez do Sampaio Corrêa um mero coadjuvante mesmo atuando em seus domínios.
A postura bugrina no início da partida deu muito certo. Com a marcação ajustada, induziu os maranhenses ao erro e sozinhos os adversários foram se complicando. Foram 17 perdas de posse do Sampaio só nos primeiros 30 minutos e uma defesa espaçada que facilitou a vida dos visitantes. O gol logo aos 13 minutos, com Matheus Oliveira totalmente à vontade para dominar e finalizar foi o indício de uma noite bem tranquila.
O Guarani até seguiu na mesma pegada por mais algum tempo, mais precisamente até cerca de 30 minutos. Continuou mordendo na marcação e conseguiu 9 de seus 14 desarmes só na etapa inicial, com destaque para o lateral-esquerdo Pará, que conseguiu seis roubadas de bola no jogo. Depois que Jefferson Nem e Rafael Longuine tiveram chances e não marcaram, a estratégia mudou completamente.
O Alviverde parou de marcar lá na frente e resolveu só trabalhar a bola. No jogo em São Luís, a equipe de Umberto Louzer igualou seu recorde particular de passes certos, que havia sido registrado contra o Figueirense (450). O problema é que não eram passes em projeção, buscando o gol. A equipe ficou em seu campo e esfriou a partida. Não à toa os zagueiros Philipe Maia e Fabrício foram quem mais tiveram combinações (38) e o goleiro Agenor recebeu 18 bolas recuadas para trabalhar com os pés.
O marasmo bugrino começou a animar os donos da casa, mas a falta de qualidade fez uma diferença brutal para atrapalhar a vida do clube do Maranhão. Das 13 finalizações do Sampaio na partida, sete foram de dentro da área, mas apenas uma certa. A principal chance, já no segundo tempo, foi numa falta cobrada de média distância.
A expulsão do volante Willian Oliveira deixou as coisas ainda mais bem encaminhadas para o Guarani no segundo tempo, mas quem esperava um time voraz e pronto para definir logo a partida viu um Bugre moroso e com uma falta de apetite inexplicável. Os visitantes aumentaram o índice de posse de bola (53% no primeiro tempo e 64% na etapa final), trocaram o dobro de passes, mas não exerceram pressão.
Com características parecidas, Matheus Oliveira e Jefferson Nem deram um ganho de velocidade ao time e foram os líderes em dribles (dois cada), mas a falta de ritmo de Nem pesou bastante. Contribuiu também para a pobreza ofensiva a atuação de Marcão. O camisa 9 ‘cavou’ a expulsão, mas teve uma finalização errada, dois impedimentos e cinco perdas de posse.
Embora tenha finalizado mais na etapa complementar em comparação aos 45 minutos iniciais (9 a 6), o Bugre pecou pela falta de eficiência e capricho. Ficou trabalhando a bola na intermediária e teve apenas 19% de posse no último terço. A falta de apetite provocou alguns sustos, mas a falta de qualidade do Sampaio Corrêa impediu que o time pagasse caro outra vez.
Já na reta final, os donos da casa resolveram facilitar ainda mais com o presente que Bruno Xavier aproveitou. Desnorteado, o Sampaio entregou os pontos e nos últimos lances o placar poderia ter sido mais dilatado, mas o Guarani não quis ganhar por uma diferença maior.
A vitória valeu bastante pela reabilitação na Série B e pela possibilidade de fazer o time encostar no G4. Antes inofensivo fora de casa, o Alviverde também vai se mostrando mais consistente quando atua como visitante. Mas se fica uma lição ao time é a de entrar sempre com a faca nos dentes, principalmente na semana decisiva que vem por aí. Não é sempre que do outro lado estará um time que, agora, não vence há 11 rodadas, como é o Sampaio.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Sampaio Corrêa 41% x 59% Guarani
Passes certos: Sampaio Corrêa 282 x 450 Guarani
Passes errados: Sampaio Corrêa 28 x 29 Guarani
Finalizações certas: Sampaio Corrêa 4 x 6 Guarani
Finalizações erradas: Sampaio Corrêa 6 x 9 Guarani
Desarmes: Sampaio Corrêa 9 x 14 Guarani
Cruzamentos: Sampaio Corrêa 18 x 25 Guarani
Lançamentos: Sampaio Corrêa 34 x 40 Guarani
Escanteios: Sampaio Corrêa 3 x 9 Guarani
Faltas cometidas: Sampaio Corrêa 17 x 20 Guarani
Rebatidas: Sampaio Corrêa 19 x 19 Guarani