Conecte-se conosco

Estatísticas

Juventude 1 x 0 Guarani: o que as estatísticas mostram

Falso controle, pouca efetividade e vacilo fatal definem vitória bugrina

O Juventude teve menos a bola que o Guarani, mas finalizou mais e melhor: domínio infrutífero e pouca efetividade do Bugre custaram caro outra vez (Foto: Arthur Dallegrave/Juventude)

O Guarani que joga fora de casa é um time que precisa urgentemente se reinventar. A derrota por 1 a 0 para o Juventude, nesta sexta-feira, foi um pouco de tudo o que o time já apresentou como visitante na Série B do Brasileiro. Falar que o time teve posse de bola e controle das ações é uma verdade, mas mais real do que isso é o fato do time não ter sido nem um pouco eficiente e, mais uma vez, ter apresentado deficiências defensivas que culminaram em novo tropeço.

O Bugre foi a Caxias do Sul disposto a ditar o ritmo de jogo para explorar as deficiências do adversário. Nos dois tempos, segundo dados do Footstats, teve mais posse de bola e terminou o jogo com 54,4%. A partida foi aquela também em que a equipe mais trocou passes no campeonato – 440. Tratou-se, porém, de um controle inútil, evidenciado pelo pequeno número de chances criadas.

No primeiro tempo, a tônica do time foram as bolas longas. O alviverde abusou da ligação direta, sobretudo com os zagueiros (31 dos 48 lançamentos foram na etapa inicial), e colocou Anselmo Ramon para se virar. O atacante finalizou uma vez a gol, de forma perigosa, mas praticamente não participou do jogo.

O camisa 9 foi figura quase nula porque os três meias atrás dele também jogaram muito abaixo do esperado. Com um rendimento parecido ao do primeiro tempo da partida contra o CRB, Guilherme, Rondinelly e Rafael Longuine não se entenderam. Não à toa, nenhum deles conseguiu mais do que dez combinações. Rondinelly até buscou mais o jogo, transitando por todos os lados, mas sua contribuição mais efetiva foi uma finalização de fora da área espalmada pelo goleiro, que também segurou o rebote de Guilherme.

Embora tivesse uma estratégia ofensiva deficiente, o Guarani conseguiu se virar lá atrás em  boa parte do primeiro tempo, até que a partir dos 30, 35 minutos, o Juventude resolveu explorar os espaços dados, seja na frente da grande área ou nas possibilidades em bolas paradas. Depois de praticamente não sofrer no jogo anterior, o Bugre voltou a ver o adversário finalizar muito – foram 15 tentativas dos gaúchos no total, sendo nove de dentro da área.

Outra vez bem quando exigido, Bruno Brígido evitou quase todos as ameaças, menos uma, quando não havia nada que ele pudesse fazer. Foi em mais uma pane da retaguarda bugrina que Fellipe Mateus apareceu livre num espaço que deveria ser ocupado por Éverton Alemão e marcou o gol que definiria o jogo.

Com desvantagem no placar, poderia se esperar um Guarani diferente no segundo tempo, sobretudo na questão da iniciativa. A equipe, porém foi o que pode se chamar de ‘arame liso’, ou seja, cerca, mas não machuca ninguém.

Os visitantes voltaram do intervalo ainda mais inofensivos. Umberto Louzer percebeu logo que a conversa do vestiário não surtiu efeito e logo trocou duas peças de ataque. Bruno Mendes entrou e fez uma boa jogada, que foi o passe para Rafael Longuine, em que o meia foi lento na definição do lance e desperdiçou.

No mais, as alterações se mostraram sem efeito nenhum. A equipe seguiu jogando de maneira afunilada e sem desafogo pelos lados. No primeiro tempo, Guilherme atuou aberto pelo lado direito e pouco incomodou, situação semelhante a de Erik na etapa final pela esquerda.

No final da partida, o Juventude se trancou de vez. Com duas linhas de quatro compactas, não foi difícil marcar um adversário sem profundidade e amplitude. O Guarani ficou trocando passes à exaustão (foram 182 apenas nos últimos 30 minutos), mas sem a menor capacidade de penetrar na área. Em todo o segundo tempo, o Bugre não teve sequer uma finalização certa ao gol de Matheus. Sem conseguir acertar um chute, a chance de marcar gol se torna extremamente improvável, assim como uma mudança no resultado.

Com a terceira derrota em quatro jogos fora de casa, o Guarani evidencia, a cada apresentação longe de seus domínios, que muita coisa precisa mudar ou essa primeira vitória não virá tão cedo. Na terça-feira, diante do vice-líder CSA, será preciso uma mudança radical de comportamento para alterar esse quadro.

Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)

Posse de bola: Juventude 45,6% – 54,4% Guarani
Passes certos: Juventude 309 x 440 Guarani
Passes errados: Juventude 49 x 56 Guarani
Finalizações certas: Juventude 5 x 3 Guarani
Finalizações erradas: Juventude 10 x 8 Guarani
Desarmes: Juventude 17 x 12 Guarani
Cruzamentos: Juventude 20 x 16 Guarani
Lançamentos: Juventude 60 x 48 Guarani
Escanteios: Juventude 2 x 2 Guarani
Faltas cometidas: Juventude 12 x 17 Guarani
Rebatidas: Juventude 35 x 31 Guarani

Mais em Estatísticas