Para buscar o primeiro resultado positivo fora de casa na Série B, o Guarani atuou de uma forma diferente. Por mais que o técnico Umberto Louzer tenha dito na véspera que o time não mudaria sua característica, o Bugre reviu conceitos e enfrentou o Goiás com outro comportamento. Para ganhar consistência lá atrás, a equipe perdeu força na frente, mas mesmo assim ia arrumando a vitória até uma falha decisiva custar os três pontos.
Embora a estrutura tática tenha sido a mesma, o posicionamento das peças foi diferente. O Guarani atuou mais compacto do meio para trás, preocupado principalmente com a forma de atuar do Goiás, com dois homens de organização e extremos pontos a explorar espaços vazios.
Para evitar pressão, o Alviverde buscou posse de bola e, no primeiro tempo, a dividiu com os donos da casa. No final da partida, principalmente pela necessidade de gol no fim, o Goiás, teve mais tempo com a bola nos pés (52,4% a 47,6%).
Na etapa inicial, o jogo até seguiu o script que os visitantes buscavam. O Goiás até tentou arriscar, sobretudo de fora da área, mas Bruno Brígido fez apenas uma defesa tranquila. Por mais que a bola rondasse a área bugrina, não havia penetração.
O problema é que o ataque do Guarani viveu sua pior jornada no campeonato. No primeiro tempo, nenhuma finalização teve direção do gol. Rafael Longuine, preocupado em ajudar nos avanços de Carlos Eduardo, teve participação quase nula na partida. Bruno Nazário pouco produziu, Bruno Mendes errou demais (de 12 passes tentados, errou cinco) e foi dos pés de Rondinelly que o time criou alguma coisa.
Explorar o desespero e a pressão do Goiás poderiam ser saídas para o Bugre após o intervalo. O jogo, porém, seguiu um script ideal para o 0 a 0. Defensivamente, os donos da casa conseguiam se virar bem, mas com a bola nos pés não havia um momento de lucidez sequer.
O momento era complicado. O Goiás havia chegado com perigo duas vezes e, dos 15 aos 30 da etapa final, os visitantes tiveram pouquíssima posse de bola – trocaram apenas 14 passes contra 63 do adversário.
Empurrado para trás e sem conseguir trabalhar a bola no chão, o Guarani passou a abusar dos lançamentos. Foram 38 (17 certos) durante o jogo e justamente num deles nasceu o gol. Não houve qualquer trabalho de aproximação ou triangulação, mas sim uma bola longa de Edson Silva que encontrou Anselmo Ramon. O atacante, que saiu do banco, precisou de uma bola – a única finalização certa do time na partida – para estufar as redes.
Era o cenário perfeito. Jogo no fim, vantagem no placar e adversário ainda mais pressionado. Natural que o Goiás tentasse pressionar, ainda que de maneira desordenada. O Bugre ainda tinha a vantagem de esfriar o jogo e explorar contra-ataques. Não fez uma coisa, nem outra. Erik mais uma vez entrou muito mal – teve cinco perdas de posse com pouco tempo em campo – e os avanços do Goiás foram recorrentes.
Nos minutos finais, o Goiás usou apenas de um artifício. Jogadas de linha de fundo e bolas cruzadas na área. Dos 23 cruzamentos que o time esmeraldino tentou no jogo, 11 foram nos minutos finais. E não é que o Guarani, num misto de desatenção e falta de maturidade, caiu na armadilha.
Primeiro com Marcílio numa falta completamente desnecessária, que provocou mais um dos tantos cruzamentos. A primeira bola na área foi rechaçada, mas ninguém apareceu no rebote e pior ainda fez Edson Silva ao não perceber a passagem de Madison em suas costas. Cabeçada no canto e gol de empate.
Depois de 10 dias para treinar, o Guarani evoluiu muito pouco. Tinha como principal preocupação aumentar a solidez defensiva e em certo ponto conseguiu. Para isso, porém, praticamente acabou com o poder de fogo de seu ataque. E com uma bobeira no fim viu aumentar o jejum fora de casa.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Goiás 52,4% – 47,6% Guarani
Passes certos: Goiás 351 x 294 Guarani
Passes errados: Goiás 38 x 37 Guarani
Finalizações certas: Goiás 4 x 1 Guarani
Finalizações erradas: Goiás 14 x 10 Guarani
Desarmes: Goiás 13 x 13 Guarani
Cruzamentos: Goiás 23 x 2 Guarani
Lançamentos: Goiás 27x 38 Guarani
Escanteios: Goiás 5 x 7 Guarani
Faltas cometidas: Goiás 18 x 19 Guarani
Rebatidas: Goiás 38 x 32