‘O jogador de futebol morre duas vezes. A primeira, quando para de jogar’. A frase é do ex-volante Paulo Roberto Falcão e sintetiza o sentimento no momento da aposentadoria, mas para Jose Fernando Fumagalli, essa ‘morte’ não tem nada de triste. Disparadamente o maior ídolo do Guarani nos últimos 20 anos e principal símbolo recente do clube, o meia se despediu da carreira profissional da forma com que sonhou. No Brinco de Ouro, ao lado da torcida que o venera, colocando o Bugre de volta à elite do Campeonato Paulista e, para fechar com chave de ouro, erguendo o troféu de campeão na condição de capitão, deixando uma imagem que ficará eternizada.
Resumir uma noite tão intensa não foi nada fácil. “Meu Deus do céu, não consigo achar palavras, não consigo descrever o sentimento. É alegria, mais alegria. É o final da minha carreira, mas sonhei com esse momento, terminar com acesso, campeão e levantando o troféu como capitão. Meus companheiros me proporcionaram esse momento. Pode haver alguém igual, mas mais feliz não tem. Estou transbordando felicidade, só eu sei o que estou sentindo por dentro”, disse o jogador, horas depois da partida.
“Estou realizado, sou muito grato a tudo o que o futebol me proporcionou. Foram 12 títulos, ser o sétimo maior artilheiro da história do Guarani com 90 gols, 307 jogos. É como eu falei para os torcedores. Não nasci bugrino, mas vou morrer bugrino. Está no meu coração”.
A semana que antecedeu a aposentadoria foi atípica. Começou com a tensão antes do jogo decisivo da semifinal, passou pela festa pelo acesso e, depois, com a percepção de que o final da carreira estava próximo. Fumagalli fez, pela última vez, coisas com as quais se habituou nos 22 anos em que atuou como jogador de futebol.
“Fiquei muito emotivo nessa semana porque é tudo último. Última falta, último café da manhã, último almoço com os companheiros, último beijo na esposa para vir pra concentração. Não foi fácil, mas procurei me controlar e passar força. Não adiantava essa festa bonita, se a gente não conseguisse o título. Eu ia ficar frustrado, a torcida ia ficar frustrada. Mas os caras jogaram muito, fomos brilhantes e fizemos essa festa maravilhosa”, vibra o meia.
Diante de tanta história que viveu com a camisa verde e branca, o camisa 10 pode até escrever um livro. Foram momentos de alegria, como o do último sábado, mas também situações bastante complicadas. Mesmo assim, ele garante: não mudaria nada do que aconteceu.
“Nada, nenhuma vírgula. A gente sofreu muito aqui dentro, um momento crítico em 2014, e, mais do que ninguém, sei de tudo o que se passou dentro do vestiário nos últimos anos”, ressalta. “Mas veio a coroação. Teve tristeza, mas também muita alegria. O vice paulista em 2012, o vice na Série C com aquele jogo inesquecível dos 6 a 0. Eu fazer três gols com 39 anos foi inexplicável e, para coroar minha carreira, minha história, esse acesso e o título. Nem nos meus melhores sonhos poderia esperar tudo isso”, avaliou. “Deixo um legado para o Guarani, principalmente para os mais jovens”
Agora, é hora de encarar nova realidade. Fumagalli deixa as chuteiras de lado para se tornar coordenador-técnico do Guarani. Competitivo e perfeccionista ao extremo, o novo cartola já traça planos para o clube. “Vou conversar com o presidente e com o Luciano (Dias, superintendente de futebol), mas a ideia é a coordenação técnica, estar entre diretoria, comissão técnica e jogadores. Vou buscar conhecimento para ajudar o Guarani no que for possível. Meu objetivo era colocar o Guarani na Série A1 do Paulista e na Série B do Brasileiro, que foi onde encontrei, mas o lugar desse clube é a Série A. Temos muito trabalho pela frente e espero ajudar fora de campo da melhor maneira”, finaliza o, agora, ex-jogador Fumagalli.