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Entrevistas exclusivas

‘Novo’ Nazário busca acesso para coroar volta por cima

Após momentos ruins, meia recupera alegria e exalta clube: ‘Guarani é muito grande’

Transferência ainda muito jovem para o futebol europeu, contrato longo, salário bom e a oportunidade de disputar um campeonato de ponta. Parecia o cenário perfeito para a carreira decolar, mas não foi bem assim que as coisas aconteceram para Bruno Nazário. Ao ir para a Alemanha com apenas 18 anos, o meia carregou na mala uma série de sonhos que não se realizaram. Na volta ao Brasil, uma breve passagem pelo Cruzeiro elevou a frustração. Aí, apareceu o Guarani. No começo, poucas oportunidades e o temor de uma nova decepção mexeram com o jogador, mas gradativamente tudo foi mudando e hoje, no local em que ele encontrou a idolatria de uma torcida, ele não esconde que o Bugre o transformou.

Em entrevista exclusiva concedida ao Nossa Taba, Bruno Nazário relembrou momentos dessa sua passagem pelo Brinco de Ouro. De como a relação com a torcida mudou completamente, de como ele, como jogador e pessoa, também amadureceu e, é claro, da oportunidade de recolocar o Alviverde na primeira divisão do Campeonato Paulista. O acesso é a coroação perfeita dessa volta por cima.

Antes de tudo, como está a expectativa às vésperas de jogos tão importantes?
Particularmente, estou muito ansioso. No ano passado vim para cá, queria muito o acesso e não deu. Agora chegou a oportunidade nesses dois jogos decisivos. As coisas têm dado certo, mas ainda temos duas partidas e temos que focar, ter tranquilidade porque com certeza as coisas vão acontecer.

O que está dando certo nesse ano e que não funcionou em 2017?
No ano passado teve muita turbulência, muitos treinadores (foram três só na Série A2) e os resultados também não estavam favorecendo. Nesse ano deu tudo certo. Deu aquele rolo com o Fernando Diniz, um baque inicial em todo mundo, mas o Umberto chegou e deu tranquilidade pra gente. É um grande treinador, soubemos escutar, acatar tudo que ele passa e está dando certo.

E o que mudou no Nazário, que ano passado também não conseguiu se destacar na Série A2 e atualmente é um dos melhores do time?
No ano passado muitas coisas fora de campo me afetaram, a cabeça não estava boa e o Ney da Matta (primeiro técnico da temporada) não deu muitas oportunidades. Veio o Vadão, que é experiente, sabe da qualidade dos jogadores que têm na mão e me deu confiança. Na Série B me soltei, foi tudo automático e graças a Deus deu tudo certo. Agora tô com a cabeça boa, tudo se resolvendo.

Mentalmente você está mais forte?
Estou mais leve, todo mundo vê que estou mais sorridente no dia a dia. No ano passado teve muita turbulência, não sabia o que estava acontecendo comigo, mas hoje todo mundo vê meu esforço, minha alegria em campo. Vou para cima dos zagueiros adversários, faço gol. Hoje, estou completamente solto, é outro Nazário.

Após a Série B do ano passado, você chegou a se despedir de todo mundo e foi surpreendente o seu retorno, até por haver sondagens, o Paraná chegou forte. Por que você quis ficar? Insistiu muito por isso?
Todo mundo sabe que cheguei aqui desacreditado, as coisas não estavam dando certo. Mas por tudo que aconteceu dentro de campo, pelos torcedores que me acolheram bem, aqui dentro gostam bastante de mim, isso me deixou satisfeito. Não cheguei a ir para a Alemanha. Só falei por telefone e deixei na mão do Nenê Zini (empresário), mas graças a Deus minha vontade falou mais alto. Todo mundo sabe que amo esse clube. Não tem explicação chegar num jogo e ver o tanto de torcedor gritando seu nome, isso não tem preço.

Você fala da torcida e pelas redes sociais isso é muito forte. Você sempre posta as coisas, o pessoal elogia, tem os que te chamam de ‘Neyzário’…
Eu gosto de postar foto, responder alguns torcedores. Gosto de ver crítica, também. Sempre tem uns que falam: ‘Ah, Nazário, tem que jogar mais assim, desse jeito’. Mas é bom, um carinho gostoso, gosto de rede social.

Foi por causa de uma atitude na rede social que você também foi bastante cobrado, quando pediu uma camisa ao Pottker, que na época era atacante da Ponte Preta. Você não gosta de tocar no assunto, mas como aquele episódio te fez mudar também?
Eu nem gosto de falar desse assunto, nem gosto de falar deles. Mas você sabe que o Guarani é muito grande, eu não sabia disso, mas eu tenho orgulho de falar que jogo no maior time de Campinas.

Naquele momento você percebeu que o Guarani era muito maior do que você imaginava?
Isso.

Como você vê o time para esses jogos decisivos. Está pronto?
A gente trabalha o dia a dia e todo mundo se cobrando. Se um abaixa a cabeça, o outro vai lá e dá uma força. É tudo natural. No ano passado não deu certo, esse ano está dando, mas ainda tem esses dois jogos importantes. Não adianta fazer a campanha que fizemos até agora e morrer em dois jogos.

O que vai representar pra você esse acesso? E se for com gol seu?
Seria uma alegria imensa fazer o gol do acesso. Fica para a história também, são cinco anos do Guarani tentando subir e não consegue. Ano passado, por uma fraqueza minha ficou marcado. Ano passado também o time que caiu na Série B, foi uma tensão grande. Aí você olha como as coisas dão a volta. Hoje estamos em cima, e se eu fizer esse gol vai ser uma alegria muito grande.

E aquele gol de bicicleta contra o Taubaté também fica para a história, né?
Agradeço muito pelas oportunidades que estou tendo. Fui muito feliz ali naquele lance, de fazer esse belo gol e com certeza vai ficar para a história, como outros que fizeram. No ano passado tive chances, mas batia na trave, o goleiro pegada. Agora, tá tudo dando certo.

E sobre futuro? Você tem contrato até o meio do ano e ainda pertence ao Hoffeinheim. Já pensou sobre isso? Fica para a Série B ou agora é só foco na Série A2?
Estou focado. Não chego nos meus empresários, não pergunto nada. Meu foco é nesse objetivo, quero desse o ano passado. É meu sonho, coloco a cabeça no travesseiro e peço a Deus. Quero o título, quero o Guarani onde ele não deveria ter saído. Sou grato ao Guarani pela oportunidade que está me dando, de abrir várias portas, mas ainda não sei do meu futuro. Estou pensando só na A2.

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