A última semana foi marcante para o Guarani por ter significado um passo decisivo para a concretização de uma Arena para o clube no futuro com o Brinco de Ouro passando para as mãos do Grupo Magnum. E este domingo curiosamente guarda uma lembrança especial do primeiro estádio do clube. Há exatamente 95 anos, em 15 de julho de 1923, também um domingo, o Bugre disputava a primeira partida no Pastinho, casa alviverde por 30 anos.
No início de sua história, o Guarani alugava o Ground do Guanabara, na Rua Barão Geraldo de Rezende, para disputa de treinos.. Já era um sonho da diretoria concretizar a construção de um estádio próprio e, em 1920, foram concentrados esforços para adquirir aquela área no bairro Guanabara. Foi nomeada uma “Comissão Pró-Estádio”, presidida por João Pereira Ribeiro juntamente com Frederico Borghi, Alfredo Maia, Vicente Canechio, José Milani, Matheus Romeiro Pinto. Livros de ouro, rifas e quermesses foram algumas das formas idealizadas para arrecadar fundos e comprar o local, que pertencia à viúva do Barão de Itapura.
Em 15 de julho de 1923 chegou o grande dia e o primeiro adversário não poderia ser mais especial. Desembarcou em Campinas o poderoso Paulistano do craque Arthur Friedenreich, principal expoente do futebol brasileiro na época. A escalação do Guarani naquela partida tinha Pacheco; Joca e Tavares; Deputado, Juca e Joaquim; Miguel, Zequinha, Barbanera, Nerino e Pilla, e coube a Zequinha ser o responsável pelo primeiro gol do Pastinho na vitória bugrina por 1 a 0 diante de cerca de 6 mil pessoas.
Vitórias inesquecíveis marcaram a trajetória do clube no Pastinho. Foi lá que o Guarani aplicou 10 a 0 no Rio Branco de Americana, à época um de seus algozes. O Corinthians também foi alvo da força dos donos da casa ao levar 6 a 2 pelo Campeonato Paulista de 1928. O estádio também foi palco da primeira vitória sobre o Palestra Itália – atual Palmeiras – por 2 a 1 em 1930.
Em 1946, o Pastinho recebeu um Dérbi que não terminou, já que os jogadores da Ponte Preta se retiraram do gramado quando o placar apontava 3 a 0 após apenas 34 minutos do primeiro tempo. O estádio também recebeu a goleada por 5 a 0 sobre o Batatais, em 1950, forçando o jogo-desempate que colocou o clube na elite do futebol paulista.
Maior artilheiro da história bugrina, com 221 gols, Zuza também fez sua estreia pelo clube no Pastinho. Ele deixou sua marca uma vez na vitória por 3 a 2 sobre o Fluminense, em 1939. O último jogo do Guarani no estádio foi em 5 de abril de 1953, em amistoso com o São Paulo que terminou empatado em 1 a 1.
Embora fosse chamado de Estádio do Guarany ou Estádio da Rua Barão Geraldo de Rezende, o nome Pastinho pegou pois se tratava de uma forma pejorativa que os adversários usavam para se referir ao local. Os bugrinos, porém, adotaram o apelido que simbolizou uma era para o clube antes da construção do Brinco de Ouro.
Com informações do historiador bugrino Celso Franco de Oliveira Filho