Enquanto para a maioria dos jogadores do Guarani o Dérbi é algo novo em suas carreiras, outros profissionais do clube possuem experiência nesse tipo de jogo. Presenciaram a tensão das semanas que antecederam as partidas, acompanharam de perto a ansiedade de que envolve o clássico e também viveram situações curiosas. É o caso do atual preparador de goleiros do clube. Dono da meta bugrina em meados da década de 90, Narciso enfrentou a Ponte Preta duas vezes e, além de carregar no currículo o fato de nunca ter perdido para a maior rival, guarda na lembrança até hoje uma ideia ousada do então presidente Beto Zini, mas que acabou não se concretizando.
Em abril de 1995, o Dérbi aconteceu no Moisés Lucarelli pela primeira fase do Paulista. E o dirigente máximo do clube resolveu que o Guarani chegaria ao estádio adversário de uma forma diferente. “Antes do Dérbi, o ‘seo’ Beto reuniu a gente no queijo (prédio administrativo que fica no Brinco) e disse que queria descer de helicóptero dentro do campo do Moisés Lucarelli, pouca gente sabe disso. Conversamos com ele, falamos que não tinha motivo para isso e tiramos da cabeça dele”, recorda.
Quando a bola rolou, o Bugre, mesmo na casa rival, era favoritíssimo com o poderoso ataque formado por Djalminha, Amoroso e Luizão. Com 18 minutos, o Alviverde abriu 2 a 0, mas depois da expulsão de Amoroso, a Ponte Preta reagiu. Descontou no segundo tempo e foi então que Narciso, então no banco de reservas, teve que assumir uma responsabilidade e tanto.
“O Hiran machucou o tornozelo, chegou uma hora e não deu mais pra ele. Faltava 10, 15 minutos e era uma ‘bucha’, mas eu estava preparado para qualquer situação e surgiu a oportunidade. Infelizmente eles empataram, mas acho que, no tempo em que fiquei em campo, fiz mais defesas que o Hiran”, diz o ex-goleiro.
O outro clássico vivido por Narciso foi no Brinco de Ouro, mas terminou com festa. Havia sido em 1993, também pelo Paulista. Com gol de Tiba, o Guarani venceu por 1 a 0 e manteve a invencibilidade sobre a rival, que viria terminar apenas em 2002.
Agora como membro da comissão técnica do clube, Narciso faz questão de incutir nos jogadores – principalmente nos goleiros, com quem tem mais contato – a importância da partida. Ele garante que a rivalidade é acirrada, mas diz que sempre destaca a importância do respeito e que é dentro de campo e com a bola rolando que o time precisa se sobressair.
“É um jogo sempre importante, que mexe com tudo. É muito diferente de Palmeiras x Corinthians, Flamengo x Fluminense. Mas é uma rivalidade que fica mais lá fora de campo. Dentro, o jogador tem que ter consciência. Chegar e jogar seu futebol”, ensina. “A gente já vem conversando com os atletas há um tempinho. Tem o Passarelli, que disputou Dérbi na base. Claro que a proporção do profissional é bem maior, mas já existe uma noção. O que venho falando é de ter respeito e desenvolver nosso trabalho”, finaliza.
Após cinco anos, o maior clássico do Interior volta a ser disputado no sábado, às 19h, no Brinco de Ouro, pela quarta rodada da Série B do Brasileiro. Será o confronto de número 191 entre os clubes, que estão em situação parecida no campeonato. Ambos possuem uma vitória e duas derrotas, mas o Guarani leva vantagem sobre a rival por ter saldo de gols superior (0 a -1).