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Entrevistas exclusivas

Fumagalli descreve final perfeito: ‘Erguer o troféu como capitão’

Meia quer marcar o término da carreira com um título pelo Guarani

Depois do acesso, o sonho do consumo de Fumagalli é o título: seria o primeiro dele pelo clube que já defendeu em 306 partidas (Foto: Rodrigo Villalba/FPF)

Chegou a hora. Ele bem que tentou postergar, prolongou quando muita gente já achava que era o momento e, até quando a ideia de parar estava decidida no ano passado, ele voltou atrás para encerrar a carreira da maneira que sonhou. Neste sábado, na decisão da Série A2 contra o Oeste, Fumagalli escreve o último capítulo de sua história como jogador profissional. Um capítulo especial pelo acesso conquistado à elite do Campeonato Paulista. Mas falta um detalhe, uma imagem que o meia quer deixar eternizada: como capitão, o privilégio de erguer o primeiro troféu no clube em que é referência, ídolo, uma lenda.

Com 306 partidas com a camisa do clube, Fumagalli ajudou a levar o Guarani a duas finais, ambas com a braçadeira. Em 2012, no Campeonato Paulista, não pôde jogar nenhum dos jogos contra o Santos pois havia sofrido uma lesão no tendão de Aquiles na semifinal diante da Ponte Preta. Em 2016, na Série C, após a atuação monstruosa na semifinal contra o ABC, o camisa 10 atuou nos confrontos contra o Boa Esporte, mas viu os adversários levarem a melhor e tirarem o gostinho da taça.

Dessa vez, é a chance derradeira e a oportunidade de coroar o empenho e a liderança de quem, principalmente nos últimos seis anos e meio, foi fundamental em todos os momentos – sejam bons ou ruins. “Tudo o que eu sonhei foi isso, fechar minha carreira levantando a taça de campeão. Não tive o privilégio ainda como capitão, mas quem sabe Deus reservou esse momento especial. Vamos deixar na mão Dele, se preparar bem para um jogo difícil e fazer de tudo para buscar esse título”, contou o ídolo bugrino em entrevista exclusiva ao Nossa Taba.

Para o jogador, o destino ajudou a contribuir com tudo isso, também. No ano passado, a decisão estava tomada, mas alguns fatores impediram que o encerramento fosse bem diferente do merecido. Esticar um pouquinho mais com certeza valeu a pena. “Acho que se eu tivesse completado os 300 jogos e minha família estivesse mais próxima naquele momento, de repente teria encerrado, mas da maneira que foi, brigando contra rebaixamento, o desgaste, minha família não estava presente, resolvi continuar”, explica. “Eu tinha a possibilidade dos 300 jogos, um campeonato curto com a chance do acesso. Eu me via em condições e, mesmo não sendo protagonista, acredito que ajudei. Agora termino da forma que eu imaginei”.

No futebol há 23 anos, Fumagalli ainda tenta lidar com a situação, mas a maturidade adquirida durante todo esse tempo é uma aliada importante na missão de administrar a ansiedade. “Estou um pouco mais tranquilo porque podia não subir e encerrar a carreira de uma forma triste, sonhei em encerrar por cima. É uma mistura de sentimentos, alívio, alegria por ter subido e um pouco de tristeza por estar chegando o final”, revela. “Minha cabeça está bem tranquila agora, mais preparada para o momento. Fiz tudo o que podia fazer para o futebol, treinei tudo o que podia treinar, me dediquei. Vai terminar um ciclo e saio com a consciência de que fiz o melhor”.

Que ele estará em campo no sábado, isso é óbvio, mas a dúvida é: sendo titular com risco de substituição no segundo tempo, na reserva com a certeza de que estará em campo assim que o jogo acabar ou, já que é mesmo a última vez, dando o possível e o impossível para ficar os 90 minutos? “Eu sempre preferi jogar, mas vamos deixar para o Umberto. Não tivemos tempo de conversar. Eu preferia começar, ver até onde aguento, de repente jogar os 90, mas ainda não paramos para ver isso, o importante é conquistar o título e levantar esse caneco”, ressalta.

E o que vai passar pela cabeça quando o árbitro apitar o final da partida e aí, oficialmente, a carreira de jogador estiver encerrada? Pode ser pela festa do título ou a tristeza do vice, mas de uma coisa pode ter certeza: não faltarão lágrimas. “Ainda não parei para pensar. Não sei, tem que aguardar o momento e o que coração vai colocar para fora. Sei que será emocionante porque é uma vida inteira dedicada ao futebol, mas sei também que é um ciclo que termina e vai começar outro. Vou poder ajudar de uma nova maneira”, finaliza Fumagalli.

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