O Guarani da estreia da Série B, como mostrou o Nossa Taba após a derrota por 2 a 1 para o Fortaleza, foi um time que mudou de postura e acabou não se dando bem. Na vitória por 2 a 0 sobre o Sampaio Corrêa, no sábado, pela segunda rodada, o Bugre tentou apresentar as características que lhe são mais habituais, mas acabou tendo que se adaptar ao estilo do adversário e procurar alternativas para superar uma marcação agressiva. Depois que fez 1 a 0 e ficou com um a mais em campo, o Alviverde teve a chance de se soltar, mas não conseguiu.
Em termos de posse de bola, o Guarani foi superior em praticamente todo o jogo e terminou com 56,7% do tempo com a redonda nos pés, segundo dados do FootStats. Com 381 passes trocados, o time teve Baraka (58 certos e 6 errados) como o líder no quesito. No primeiro tempo, porém, os visitantes impediram que essa posse de bola fosse efetiva. O Bugre trocou apenas 21 passes no último terço do campo na etapa inicial, número igual ao do adversário.
Quando passou do meio-campo, o Alviverde se viu enroscado na marcação individual do Sampaio, que roubou muitas bolas – foram 13 só nos primeiros 45 minutos – e perturbou Bruno Nazário, o mais caçado em campo com seis faltas recebidas. Na tentativa de forçar uma jogada, o time mandante também errou mais passes (28 dos 47 totais) e a falta de espaço proporcionou apenas um drible certo – de Ricardinho.
Com seu jogador mais talentoso vigiado de perto e pouco produtivo, o Bugre foi obrigado a tentar variar o repertório. O jogo começou a fluir pelo lado esquerdo, onde o time mais teve a bola (40% do tempo) e trocou mais passes. Acionado no lugar de Marcílio, que saiu com um corte na testa com apenas dois minutos, Kevin teve as companhias de Rondinelly, com quem fez 23 combinações e Denner (17).
O autor do primeiro gol bugrino, aliás, foi o destaque individual da partida. Escolhido por Umberto Louzer para ser o elemento surpresa e opção em finalizações de longa distância, o volante cumpriu as duas funções. Foi quem mais finalizou no confronto (quatro vezes), sendo três de fora da área. Quando apareceu mais próximo do gol, aproveitou cruzamento de Rondinelly para, em duas tentativas, abrir o placar.
No segundo tempo, a expulsão do lateral-esquerdo Kayke deu todas as chances do Guarani poder fazer um resultado mais tranquilo. A falta de apetite, porém, foi evidente. O time trabalhou bastante a bola no meio-campo, mas finalizou a gol apenas duas vezes tendo um jogador a mais em campo – uma delas na jogada individual de Guilherme que sacramentou o resultado.
Defensivamente, o Bugre apresentou algumas deficiências que preocuparam. Das nove finalizações que o Sampaio Corrêa teve em toda a partida, seis foram de dentro da área, mas a falta de capricho, como no caso de uma cabeçada de Uilliam pra fora quando o atacante estava livre, e uma defesa fundamental de Bruno Brígido no chute de Marlon, impediram o pior.
No segundo tempo, quando a equipe maranhense perdeu força ofensiva com o cartão vermelho e não conseguiu concluir sequer uma vez em direção a meta bugrina, a retaguarda alviverde atuou com bem mais segurança, principalmente o zagueiro Anderson, líder em rebatidas na partida com dez, sendo sete só na etapa complementar.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Guarani 56,7% – 43,3% Sampaio Corrêa
Passes certos: Guarani 381 – 239 Sampaio Corrêa
Passes errados: Guarani 47 – 42 Sampaio Corrêa
Finalizações certas: Guarani 6 – 3 Sampaio Corrêa
Finalizações erradas: Guarani 10 – 6 Sampaio Corrêa
Desarmes: Guarani 10 – 18 Sampaio Corrêa
Dribles: Guarani 1 – 2 Sampaio Corrêa
Escanteios: Guarani 7 – 1 Sampaio Corrêa
Faltas cometidas: Guarani 16 – 17 Sampaio Corrêa