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Entrevistas exclusivas

Reencontro que vale acesso: Piza revive ‘decisão’ com o Bugre

Técnico subiu na A2 em jogo contra o Bugre em 2014 e quer repetir dose pelo XV

Evaristo Piza tem forte ligação com o Guarani, mas não lamenta estar do outro lado em jogo decisivo: 'faz parte da profissão' (Foto: Michel Lambstein/XV de Piracicaba)

O sobrenome não nega. Evaristo Piza tem sim muita identificação com o Guarani. Filho de Júlio de Toledo Piza, que trabalhou por anos no clube, ele pertence a uma família bugrina. Cresceu no Brinco de Ouro, onde deu seus primeiros chutes, trabalhou no Projeto Bugrinho e, depois, ainda realizaria o sonho de dirigir a equipe profissional. O destino, no entanto, prega peças, e quis que os dois principais momentos da carreira profissional do treinador tivessem o Alviverde do lado oposto. No sábado, no primeiro encontro das semifinais, Piza, pelo XV de Piracicaba, começa a tentar um novo acesso na Série A2, mas para isso terá que deixar pelo caminho o clube do coração. Em entrevista exclusiva ao Nossa Taba, o comandante relembrou a passagem pelo Brinco e falou sobre o reencontro.

Em 2014, Piza comandava o surpreendente Capivariano, que mediu forças com o Guarani na décima sétima rodada da Série A2. Àquela altura, o Bugre já não tinha chance alguma de acesso, enquanto o adversário precisava de uma vitória para alcançar a primeira divisão de forma inédita. O duelo foi em Paulínia – o Brinco de Ouro passava por reformas para receber a Nigéria durante a Copa do Mundo – e o Capivariano comemorou após triunfar por 2 a 1. Em meio à festa, Piza declarou todo o amor ao Alviverde, a quem viria treinar logo depois.

Agora, à frente do XV, o encontro acontece num momento bem diferente. Diferentemente daquela vez, o Guarani não cumpre tabela. Pelo contrário, é O concorrente. “É uma situação que fica até repetitiva, uma coincidência muito grande. Nos meus dois principais momentos para definir um objetivo, é contra o adversário que tive uma história desde criança. Algumas entrevistas que dei na época do Capivariano não repercutiram bem, pessoas dizendo que eu deveria ter mais cautela, mas só falei a realidade”, explica. “Fui criado lá dentro, as brincadeiras de infância foram no clube, estive ao lado do meu pai, comecei como treinador lá. Mas tudo isso eu soube separar bem, até pelo fato de conseguir o acesso em cima do Guarani”.

Piza garante ter amadurecido desde aquela oportunidade. Agora, até pela importância do confronto, evita as mesmas juras de amor ao Guarani. Prefere olhar o duelo pelo lado profissional. “Talvez hoje, com mais experiência, não faria o que fiz, pois fui muito cobrado. Já voltei a enfrentar o Guarani depois daquela vez e agora, no XV, defendo sempre com muita honra a equipe que venho comandando, independentemente da proximidade que existiu no passado. É mais um jogo que define um acesso e tenho todo respeito ao Guarani, mas hoje a gente tem que fazer o máximo para conseguir o objetivo”.

A família segue a mesma linha. O coração, que sempre foi alviverde, mudará de cores nesse mata-mata. “É algo natural, faz parte da profissão. No sábado, depois do jogo com o São Bernardo, falei com a minha mãe e ela contou que desceu no Pão de Acúcar (supermercado próximo ao Brinco de Ouro), encontrou com um pai e uma criança que haviam saído do estádio (após a vitória do Guarani sobre o Votuporanguense) e disse a eles que torce para o Guarani, mas infelizmente agora vai ter que torcer contra. O pai perguntou o porquê e ela disse que é porque o filho dela é técnico do XV.”, relata Piza.

Focado no sucesso com a equipe de Piracicaba, dirigir o Bugre também não parece ser a mesma obsessão de antes. O técnico chegou ao Brinco para realizar o sonho logo após aquele acesso com o Capivariano. A campanha na Série C, no entanto, não foi marcante. Num clube com sérias dificuldades financeiras, Piza encarou uma série de obstáculos e resistiu 12 jogos, com apenas duas vitórias, até ser demitido. Boatos dão conta de que ele chegou a tirar dinheiro do bolso para ajudar. Ele nega, mas admite que não era o melhor momento.

“Não tirei do bolso até porque não tinha como, mas eu trouxe parceiros que colocaram dinheiro no Guarani para ajudar no atraso de salário. Busquei ajudar o clube dentro e fora de campo, tentando campo para a gente treinar. Tentei essa colaboração. Trabalhei quatro meses (de abril a agosto) sem ter recebido, mas depois foi solucionado. Não recebi tudo, mas houve um acordo. E não tenho nenhuma mágoa”, finaliza.

 

 

 

 

 

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