“O que mais quero é ser xingado lá em Campinas agora”. A frase dita no último sábado, após a classificação do XV de Piracicaba para a semifinal da Série A2, agitou o início da semana decisiva antes do primeiro confronto contra o Guarani. Mais ainda por ter saído da boca de um jogador que disputou 161 partidas com a camisa alviverde e é tratado como ídolo pelo torcedor. Mas o que motivou Fabinho a dar tal declaração? O Nossa Taba conversou de maneira exclusiva com o atacante, que explicou a ‘polêmica’ e destacou a sensação estranha de ter que enfrentar o Bugre em um duelo tão importante.
Fabinho não viu problemas na afirmação. Para ele, quiseram criar algo muito maior do que verdadeiramente era. “Quando me entrevistaram, deixei bem claro que, se quiserem xingar, podem xingar. Não vejo problema algum. O torcedor reconhece aquilo que fiz, mas quando a bola rola todo mundo esquece. Eles vão torcer pelo Guarani e eu vou buscar o objetivo pelo XV”, explica. “Pela rivalidade e pelo contexto, quiserem criar uma polêmica em cima disso pelo nome que tenho lá, mas em nenhum momento faltei com respeito ao Guarani”.
Pelo Bugre, o atacante se acostumou a partidas decisivas. Foi titular das campanhas de acesso na Série B do Brasileiro de 2009 e na Série A2 do Paulista de 2011, além do vice-campeonato estadual em 2012. Mas ter que encarar o ex-clube num momento desse não era algo imaginado.
“As pessoas que convivem comigo e são próximos no dia a dia sabem que é uma sensação muito estranha por tudo que eu vivi no Guarani, o carinho que tenho. Ficar repetindo toda hora é chover no molhado, todo mundo sabe. E eu sei que o torcedor fica triste, chateado por me ver no XV. Mas sei também da cobrança e da responsabilidade em cima de mim por ter jogado e pela identificação que tenho com o Guarani”, revela o jogador, que garante. “Muitos já me perguntaram isso e eu falo de coração. Se eu chegar a fazer gol, não comemoro. Todo mundo sabe da minha sinceridade, não preciso fazer média. Em respeito ao Guarani, não vou comemorar”.
Com as cores do XV, Fabinho tem como principal objetivo buscar o acesso, o que, consequentemente, faria o adversário ter que amargar o sexto ano consecutivo na segunda divisão estadual. Mas ele não acredita que, por tudo que está envolvido, um sucesso diante do Alviverde seja capaz de manchar a história escrita por ele.
“Acho que não. Infelizmente, o futebol nos proporciona momentos que não dependem só de nós. Falo como jogador, pela história que tenho lá. É bonita e, se eu conseguir o acesso pelo XV, acho que não será apagada”.