De seis pontos disputados na semana, o Guarani conseguiu apenas um e comprovou que o fato de ser tão irregularidade dentro de uma mesma partida pode custar muito caro para quem ainda pensa em acesso na Série B. Se contra o Goiás o time teve um começo animado e se desconstruiu após o gol, no empate com o CRB a equipe teve momentos que levaram a torcida ao desespero diante de uma atuação tão ruim. Quando conseguiu ajustar algumas situações, acabou castigado, mas dessa vez a desvantagem no placar não pesou e o time conseguiu ainda buscar o 1 a 1.
Ao optar por quatro mudanças na formação titular, sendo uma delas responsável também por mexer na estrutura tática, Umberto Louzer certamente pensou numa equipe mais segura, mas capaz de incomodar o adversário que naturalmente sairia para o jogar por atuar diante de sua torcida. Nos primeiros 30 minutos, porém, o Bugre não entregou absolutamente nada. Foi feio de ver.
Dominado pelo limitado CRB, que mostrou disposição, mas nenhuma qualidade, o Guarani só não complicou ainda mais o jogo devido a falta de capacidade do rival. No primeiro terço do jogo, os donos da casa tinham cinco finalizações contra zero do Alviverde – nenhuma delas, porém, teve o gol de Agenor como alvo. Apostando nas descidas pelo lado do campo, os alagoanos abusaram dos cruzamentos na partida, mas com aproveitamento muito baixo (acertou 3 de 41).
Enquanto isso, o Bugre limitava-se a marcar e correr atrás do adversário, afinal não tinha nenhuma saída. Foram muitos lançamentos (56 durante a partida) na tentativa de tirar o CRB de seu campo. O apoio deficiente dos laterais e a falta de participação dos volantes ajudaram bastante na jornada pouco feliz do trio ofensivo. Matheus Oliveira, Rondinelly e Marcão pareciam desconectados do resto do time. O time teve apenas 18% de posse no último terço e, não à toa, apenas 10 combinações foram feitas envolvendo os três jogadores, que não criaram nenhuma oportunidade na etapa inicial.
Na parada para hidratação, Louzer conversou com a equipe e, ali, conseguiu pelo menos ajustar algumas situações que fizeram o time sair do marasmo completo. O Guarani começou a ter mais a bola e impedir a imposição do CRB. Não à toa, o time trocou 85 passes nos últimos 15 minutos, mais do que os 77 que teve nos 30 minutos anteriores.
No vestiário, o treinador bugrino completou a bronca e conseguiu fazer o time alcançar um padrão mais aceitável. Percebendo a possibilidade real de sair de Maceió com os três pontos, o Guarani finalmente jogou bola, algo que ainda não havia feito. Marcando mais adiantado, forçou o CRB a entregar a bola e, contando com participação dos volantes, o Bugre soube agredir. Em 15 minutos, conseguiu as três primeiras finalizações certas e ficou perto de abrir o placar na cabeçada de Rondinelly que acertou a trave e no chute de Ricardinho defendido por João Carlos.
Ainda que não fosse um domínio absoluto, o momento era mais favorável aos visitantes. Isso até um lance isolado e desnecessário fazer a partida tomar outro rumo. Quando Iago dominou na área e era marcado por Edson Silva, optou por não finalizar de imediato e levar mais ao fundo. O experiente zagueiro, que poderia muito bem continuar cercando, resolveu dar o bote e fez o pênalti, cobrado e convertido por Neto Baiano.
Diante do que havia acontecido três dias antes, quando o Guarani tomou o gol na hora ele que era melhor em campo, o pensamento foi de que novamente o time ia acusar o golpe e se entregar. Dessa vez, porém, o Alviverde soube absorver o baque e reagir. Impulsionado pelas entradas de Rafael Longuine e, principalmente Bruno Mendes, a equipe não abriu mão do jogo e pouco tempo depois de sua entrada, o atacante aproveitou um cruzamento preciso de Pará – o único do lateral-esquerdo durante o jogo – para concluir de primeira e deixar tudo igual.
Depois do gol, o duelo ficou mais aberto, com os dois times querendo o gol da vitória. O Guarani não aproveitou o embalo do empate para virar e viu o CRB ter chegadas mais incisivas. Neste momento, no entanto, pesou novamente a falta de qualidade dos alagoanos, que terminaram o jogo com apenas uma finalização certa – a do gol – e, muito por isso, não tiveram sorte melhor.
Ao Guarani, a reação pelo resultado pode dividir opiniões. Jogadores e comissão técnica valorizaram o empate diante do que foi a circunstância da partida e também por valer mais um ponto na busca pelo objetivo de somar 46 e garantir a permanência. Para o torcedor, que ainda sonha com acesso, certamente o 1 a 1 foi frustrante, afinal com atuações tão irregulares fica impossível pensar em disputar a elite no ano que vem.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: CRB 54,3 % 45,7% Guarani
Passes certos: CRB 321 x 299 Guarani
Passes errados: CRB 31 x 32 Guarani
Finalizações certas: CRB 1 x 4 Guarani
Finalizações erradas: CRB 9 x 4 Guarani
Desarmes: CRB 6 x 14 Guarani
Cruzamentos: CRB 38 x 21 Guarani
Lançamentos: CRB 19 x 56 Guarani
Escanteios: CRB 6 x 6 Guarani
Faltas cometidas: CRB 23 x 20 Guarani
Rebatidas: CRB 38 x 39 Guarani