Ninguém fez uma leitura melhor do que foi a derrota do Guarani para o Goiás do que Ricardinho. Após o jogo, o capitão admitiu que o adversário é mais maduro e disse que o Bugre não tem mostrado sabedoria para ser decisivo nas chances que tem. E foi tudo isso que se viu na noite de terça-feira no Brinco de Ouro. Depois de um bom começo de partida, os donos da casa não souberam aproveitar o momento favorável e depois se desmancharam sem conseguir encontrar um jeito de reagir.
O jogo foi um até os 29 minutos do primeiro tempo e outro completamente diferente a partir de então. Antes do gol, o Guarani foi senhor da partida. Imprimindo um ritmo muito intenso e marcando forte a saída de bola adversária, o Alviverde teve volume suficiente para abrir o placar. Foram sete finalizações, sendo quatro em direção ao gol apenas nesse período.
Embora rodasse bastante o jogo à procura de espaços, foi o lado direito quem desempenhou mais. Enquanto Pará e Bruno Xavier tiveram apenas três combinações entre si, Kevin e Matheus Oliveira tiveram 23. Por aquele espaço, os mandantes tiveram a posse de bola em 50% do tempo. As chances foram criadas e o goleiro Marcos terminou a etapa inicial com cinco defesas, sendo uma difícil no tiro cruzado de Bruno Mendes após rebote dado pelo camisa 1 em finalização de Rafael Longuine.
Enquanto o Guarani apertava, martelava e merecia marcar o primeiro gol, o Goiás não se desesperou. Manteve-se fiel a estratégia adotada e soube sofrer. Empurrado lá atrás, o time esmeraldino teve 44% da posse de bola no primeiro tempo perto da sua área e a equipe terminou o jogo com impressionantes 57 rebatidas. A frieza apresentada pelos comandados de Ney Franco foi preponderante para que o jogo começasse a tomar outro rumo.
Bastou a primeira decida perigosa e a primeira finalização certa para que a partida mudasse de mãos. Até então, Lucão só havia aparecido por ter recebido um cartão amarelo por falta dura cometida. Mas quando o agora artilheiro isolado do campeonato teve sua chance, não vacilou e abriu o placar.
Falar depois do resultado é fácil, mas ali o jogo acabou para o Guarani. E se a bola estivesse rolando até agora, é possível dizer que os donos da casa ainda não teriam feito o gol. O time da imposição e que amassou o adversário foi se desmanchando. O volume acabou e o Goiás, ainda mais sólido e consciente, só não ampliou no primeiro tempo porque Agenor e o travessão não permitiram. Os goianos, que até os 29′, não haviam levado perigo uma vez sequer, ainda conseguiram terminar a etapa inicial com quase o mesmo número de finalizações do rival (10 a 9).
O segundo tempo foi um prato cheio para quem diz que ter posse de bola não significa nada. O Guarani foi o retrato perfeito de uma equipe que teve domínio inútil. O Bugre terminou os 90 minutos com 491 passes trocados – seu recorde na Série B -, mas finalizou apenas uma vez a gol no segundo tempo, sem levar perigo.
As outras sete tentativas sequer assustaram o goleiro Marcos e a equipe acabou a partida com 12 conclusões erradas, seu maior índice no campeonato. A presença ofensiva, com 37% de posse de bola no último terço, não teve nenhum pingo de eficiência. Matheus Oliveira, Rafael Longuine, Bruno Xavier, Bruno Mendes e depois Jefferson Nem, Rondinelly e Marcão tentaram, mas não acertaram quase nada.
A ideia de ter mais jogadores ofensivos ficou só na teoria, já que a prática mostrou um time desorganizado. O único que passou ileso foi Ricardinho. O capitão que de dentro de campo compreendeu de maneira correta o que se desenrolou, terminou o jogo como o principal passador e 74 acertos em 76 tentativas. O problema é que seus companheiros não tiveram a mesma calma dentro de campo e abusaram dos erros, casos de Kevin (11 passes errados), Rafael Longuine (oito passes errados), Bruno Mendes (sete passes errados), Matheus Oliveira (seis passes errados), Bruno Xavier e Willian Oliveira (ambos com cinco passes errados).
Enquanto o Bugre não conseguia se entender, o Goiás permaneceu frio e com o jogo sob absoluto controle. Depois de saber sofrer e aproveitar uma única chance para abrir o placar, o time goiano conseguiu tocar a partida sem sofrer pressão. E, com apenas 38% de posse de bola e 88 passes trocados, foi capaz de finalizar as mesmas oito vezes que o Guarani na etapa final. Com uma grande diferença, porém. Desse total, sete foram certas. Uma delas de Caíque Sá, aos 37 minutos, que liquidou de vez a partida.
O resultado foi frustrante para o Guarani e sua torcida, que contavam muito com o resultado em casa para alcançar pela primeira vez o G4. O problema é que o Bugre, assim como foi contra Fortaleza e Ponte Preta, falhou no teste capaz de lhe consolidar como forte candidato ao acesso. O time ainda não apresenta credenciais que lhe tornem um time confiável. E há muito o que aprender com o Goiás, maduro para suportar os momentos difíceis e decisivo para aproveitar as oportunidades que aparecem. Só assim o Guarani poderá vislumbrar um acesso no final de novembro.
Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)
Posse de bola: Guarani 60% x 40% Goiás
Passes certos: Guarani 491 x 214 Goiás
Passes errados: Guarani 58 x 44 Goiás
Finalizações certas: Guarani 6 x 12 Goiás
Finalizações erradas: Guarani 12 x 5 Goiás
Desarmes: Guarani 10 x 7 Goiás
Cruzamentos: Guarani 35 x 10 Goiás
Lançamentos: Guarani 37 x 35 Goiás
Escanteios: Guarani 11 x 2 Goiás
Faltas cometidas: Guarani 8 x 12 Goiás
Rebatidas: Guarani 11 x 57 Goiás