Umberto Louzer é o nono técnico a dirigir o Guarani na Série A2 do Campeonato Paulista desde o retorno do clube à segunda divisão, em 2014. Diferentemente dos oito anteriores, no entanto, ele é o primeiro a conseguir classificação para o mata-mata. Prestes a iniciar a disputa da semifinal contra o XV de Piracicaba, o treinador concedeu uma longa entrevista ao Nossa Taba e falou de bastante coisa. Nessa primeira parte, que você confere trechos no vídeo acima, o comandante bugrino garantiu que a ansiedade não o incomoda, mas revelou não ter nem ideia do que um acesso pode representar à sua carreira.
Liderança, melhor ataque, futebol envolvente. O Guarani tem colocado em prática tudo o que Louzer esperava desde que fez a transição de auxiliar para assumir a equipe no início de janeiro. Até por isso, a tensão não lhe consome. “A cabeça está boa, tinha que estar dessa forma, até pelo desempenho que apresentamos na primeira fase. Claro que precisamos ajustar bastante coisa. Tudo o que fizemos na primeira fase não nos dá o direito de subir para a primeira divisão, mas são comportamentos, jogos que fizemos que nos dá a entender que estamos no caminho certo”, confia.
A confiança no trabalho é tão grande que o técnico diz que tudo que está acontecendo não lhe surpreende. Apesar do pé atrás de muitos assim que a diretoria optou por efetivar o então auxiliar, ele acredita que soube mostrar sua capacidade dia a dia. “Me senti muito orgulhoso quando veio a oportunidade e essa responsabilidade. Futebol requer tempo para padronizar a equipe, mas eu estudo, trabalho e busco o melhor. Os atletas também foram muito importantes no processo pois desde o primeiro dia estão entendendo o que se pede”, destaca. “Não adianta elaborar treino e fazer trabalho de campo se o jogador não absorver. Mas eles entenderam, souberam jogar a competição e não é surpresa, muito pelo que eles fizeram dentro de campo”.
E o que mudou do Umberto Louzer de 3 de fevereiro, na primeira atividade como treinador para o de hoje? Ele mesmo responde. “Um pouco de cabeça branco, um pouco de ruga, mas uma felicidade enorme de estar num clube como o Guarani. Gosto muito do campo, é um lugar que sinto feliz, à vontade. Sempre que entro para trabalhar sempre venho para retribuir o carinho que recebo desde que cheguei. No dia a dia procuro me entregar e dar o máximo para que o Guarani vença”, ressalta. “Quem convive e nos acompanha sabe que continuo com a mesma serenidade, a mesma conduta. Não tem porque mudar, só a responsabilidade que aumentou”.
O homem e o profissional que pouco mudaram durante toda a campanha pretende também ser o mesmo para os dois jogos mais importantes de sua curta carreira como técnico. Perto de recolocar o Guarani na primeira divisão, Louzer se apega aos conceitos que sempre lhe acompanharam, mas se dá ao direito de imaginar o que uma conquista dessa pode representar.
“Representa muito. Uma conquista sempre é bem vinda, mas conquistando um acesso no Guarani, com a representatividade e a visibilidade que tem, a vitrine se expande. Não dá para mensurar a dimensão, mas será muito importante”, reconhece. “Vamos buscar até as últimas consequências esse feito, não só para o Umberto, mas para a comissão, para os atletas e para tudo o que vai representar para esse clube”, finaliza.