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Entrevistas exclusivas

Do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1: a mudança tática que arrumou o time

Louzer explica mexida que afastou a irregularidade do Guarani no início da A2

Dia 23 de janeiro, no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo. O Guarani perde para os donos da casa por 2 a 1, soma a segunda derrota em três partidas na Série A2, escancara irregularidades e eleva a desconfiança sobre um time em formação e uma comissão técnica que ainda busca a afirmação. Esse tropeço poderia marcar a interrupção de um trabalho, mas isso não aconteceu. Engana-se, no entanto, quem pensa que aquela partida não trouxe lições importantes. Em mais uma parte da entrevista exclusiva do Nossa Taba com Umberto Louzer (a primeira você confere aqui), o técnico bugrino lembra daquele momento de instabilidade e de como uma mudança tática arrumou o time.

O Guarani iniciou a pré-temporada treinando no ‘exótico’ 3-4-3 de Fernando Diniz. Após a saída do treinador para o Atlético-PR e a efetivação de Louzer, a aposta era no 4-1-4-1, o esquema da Seleção Brasileira. A premissa era de um time compacto e com muita força no meio-campo, mas as coisas não saíram conforme o planejado. Uma equipe mais exposta e que sofreu nos jogos fora de casa aumentou a dor de cabeça do comandante.

“Eu não quis mexer tanto naquilo que o Diniz tinha colocado na pré-temporada. Foram feitas algumas semanas de trabalho e, no primeiro momento, respeitei por causa do encaixe. O Diniz joga no 3-4-3, mas se atrasar ou adiantar o Baraka, configura uma mesma situação, de defender com cinco. Eu quis preservar as funções em que cada um vinha trabalhando, mas vi que demoraria para dar o encaixe”, relembra Louzer.

Encontrar uma solução se desenhava ainda mais complicado pela urgência de resultados e pela instabilidade que teimava em aparecer. “A convicção que sempre tive é no trabalho. Futebol requer resultado, a gente vinha de duas derrotas fora sem apresentar boa atuação e, pela cultura do futebol brasileiro, você corre o risco de ser tirado do posto”, admite. “Mas sempre acreditei no meu trabalho, da minha comissão e nos atletas por tudo que desempenhavam no dia a dia”.

Foi aí, então, que veio a ideia que definitivamente fez o Guarani achar o caminho. Entrou em ação o 4-2-3-1, com o ajuste de posição do volante Ricardinho alinhado a Baraka, e à frente o quarteto ofensivo formado por Bruno Nazário, Rondinelly, Erik e Bruno Mendes. “Nesse esquema, eu tenho atletas com características para as funções. Conversei com eles para saber onde cada um gostaria de jogar. Através disso e do sistema no 4-2-3-1, fiz o encaixe e felizmente demos essa guinada na competição, com bons jogos, resultados positivos e conseguindo a classificação”, destaca o treinador, que, com a nova estrutura tática, sofreu em 12 rodadas as mesmas duas derrotas do início do campeonato.

Agora, com a moral lá em cima e uma forma de jogar mais do que consolidada, chegou a hora da prova mais importante. “Os resultados deram mais segurança para colocarmos em prática o que a gente acredita. Requer tempo para fazer a equipe ser padronizada e equilibrada. Estamos no caminho certo e vamos em busca de dois bons jogos para conseguir o sonho da primeira divisão”, ressalta o técnico bugrino.

 

 

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