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Entrevistas exclusivas

Cabeça no lugar: o trabalho de Lulinha Tavares no Guarani

Coach explica ao Nossa Taba as metodologias que fortalecem mentalmente o time

Lulinha Tavares acompanhou a luta do Guarani para escapar do rebaixamento no ano passado e atualmente atua para ajudar o time a manter o bom nível na A2 (Foto: Guarani Press)

O futebol se abre a novos métodos e tecnologias a cada dia. Embora as partes técnica, tática e física ainda façam uma enorme diferença no resultado final de uma partida, um detalhe adicional bem utilizado pode ser determinante. Nesse sentido, trabalhar com a cabeça dos jogadores, que convivem diariamente com pressão e a necessidade de atuarem em alto rendimento, torna-se fundamental. Esse é o papel do coach, função exercida no Guarani por Lulinha Tavares, que está no clube desde o ano passado e tem sua atuação reconhecida como uma peça importante da engrenagem que move o clube. Em entrevista exclusiva ao Nossa Taba, o profissional conta um pouco do seu trabalho, garante que não é simplesmente um ‘motivador’ e explica como um bom preparo mental pode resultar em desempenho dentro de campo.

Formado em Educação Física e pós-graduado em Psicologia Esportiva, Lulinha tentou ser jogador, mas, como ele mesmo revela, não conseguiu por ser fraco mentalmente. Mesmo assim, não se distanciou do futebol e ‘encontrou’ a carreira em 2008, quando foi fazer uma palestra no Figueirense e conheceu o meia Cleiton Xavier, que viria a ser o primeiro atleta a trabalhar com ele.

De lá para cá, são dez anos de trajetória, com passagens por dezenas de clubes e acompanhamento de mais de uma centena de atletas. Entre os trabalhos mais marcantes, é possível destacar o realizado no Fluminense, em 2009, que escapou quase que milagrosamente do rebaixamento quando tinha 98% de chances de cair. Em outubro do ano passado, o Guarani, preocupado com a zona de rebaixamento da Série B, solicitou os serviços de Lulinha. O trabalhou agradou e foi mantido para a atual temporada

Para começar, Lulinha ressalta que seu trabalho não é de um psicólogo, nem que seja um motivador. “Ninguém é capaz de motivar ninguém. A motivação é pessoal. O coach ajuda a refletir e agir. Monitora alguns aspectos em relação a metas, performance e estabelece métricas para saber se há mudança de comportamento, se ele está mais competitivo”, explica.

Também não se trata de um trabalho feito diariamente. O profissional passa alguns dias em Campinas e as dinâmicas, sejam individuais ou coletivas, acontecem em momentos pontuais e sempre quando há mais tempo disponível. “Costumo acompanhar o time na concentração. No dia a dia, o jogador chega, treina, troca de roupa e vai embora. Na concentração, ele fica lá e há tempo para que possamos desenvolver os trabalhos”.

Além dos trabalhos executados em grupo, individualmente são vários os jogadores que procuram o profissional para um acompanhamento mais próximo. Um deles, que já está com Lulinha há mais tempo é Rondinelly. E o momento positivo do meia é ressaltado pelo coach como um exemplo de quem percebeu que mudanças precisavam ser feitas.

“Trabalho com muitas perguntas e ferramentas que ajudam o atleta a tomar consciência e fazer um balanço da carreira a curto, médio e longo prazo. O Rondinelly está numa retomada da carreira e ele sempre se monitora para voltar a ter uma alta performance”, relata. “É uma pessoa mega concentrada, que hoje está percebendo a curva de ascensão e alcançando metas dia a dia”.

Encarar situações adversas é um dos desafios de Lulinha e a vivência no Bugre é um exemplo claro disso. Depois de acompanhar uma equipe pressionada por maus resultados e pelo risco de rebaixamento no ano passado, o profissional hoje convive com um grupo mais leve e que está próximo de seu objetivo. Para ele, entretanto, a abordagem utilizada não difere tanto. Mais do que isso, fases ruins precisam servir de ensinamento para que o relaxamento não contamine o ambiente e coloque a perder tudo o que foi construído.

“O ser humano tem duas motivações: a busca pelo prazer e a fuga da dor. Quando você está na pressão, na zona de rebaixamento, está fugindo da dor. Agora, o Guarani busca o prazer, mas todas as situações têm seus desafios e problemas para tratar. Geralmente, as coisas são polarizadas. Às vezes acham que tudo está bem e não pode piorar ou que está tudo ruim e não vai melhorar”, esclarece.

Para manter o grupo consciente de seu objetivo e com a cabeça focada no caminho certo, a conscientização é constante “Nós usamos o exemplo do Fumagalli. Ele jogou as últimas quatro Série A2, está terminando a carreira e não quer sentir a dor de não classificar de novo. Pegamos essa experiência para não deixar cair. Do bom para o ruim, são necessários segundos e é essa atenção que todos precisam ter para manter o alto rendimento”, finaliza.

 

 

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