A alegria de Ferreira ao vestir a camisa do Guarani não se deve apenas ao fato de poder voltar a um clube onde é querido e teve uma passagem marcante. É reflexo também de alguém que quer começar uma nova história e apagar o passado recente. Depois do destaque pelo Bugre na campanha da Série C de 2016, o zagueiro teve um ano seguinte para esquecer. Após cumprir suspensão imposta pelo STJD, o jogador não se firmou no Figueirense e ainda acabou a temporada tendo que se tratar de uma lesão.
O ‘inferno astral’ de Ferreira começou em 5 de novembro de 2016 no gramado do Estádio Dilzon Melo, em Varginha. O Guarani perdia do Boa Esporte por 2 a 0 e via o título da Série C escapar. Aos 16 minutos do segundo tempo, o atacante Rodolfo simulou ter recebido uma cotovelada do zagueiro bugrino, que tomou cartão vermelho direto. Num ato intempestivo, Ferreira empurrou o árbitro Marcos Mateus Pereira e teve que ser contido por companheiros para não fazer algo pior.
A atitude não passou impune pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que aplicou uma pena de seis meses de suspensão para o atleta. Sem poder atuar no início da temporada, o zagueiro não teve o contrato com o Guarani renovado e foi para o Figueirense. Após o fim da punição, o defensor chegou a atuar algumas partidas, mas nunca foi titular absoluto na equipe catarinense e perdeu espaço de vez após ter que ser submetido a uma intervenção cirúrgica na canela.
Depois de um 2017 para ser esquecido, Ferreira vislumbra um recomeço daqui em diante. “Foi um ano difícil. Achei que eu teria uma retomada no Figueirense, mas são coisas que acontecem. Nunca havia tido problema com lesão. É difícil ficar parado, mas trabalhei, trabalhei e tive muita fé que ia voltar. Queria voltar para cá e dar continuidade na história que fiz aqui. Quero fazer muito mais. O que aconteceu é passado. Agora é um novo recomeço na minha carreira”, disse o jogador.
Falar da suspensão ainda traz algum desconforto ao zagueiro, que viu a imagem de seu empurrão no árbitro viralizar a rodar o mundo inteiro. Ele garante, porém, que aprendeu com o episódio. “Foi um momento difícil na minha vida pessoal e profissional. Houve um desgaste muito grande com o que aconteceu. Agora penso nas coisas antes de fazer. As coisas acontecem pra gente poder melhorar como ser humano, atleta”, explica. “Estou com a cabeça boa. Cometi um erro, mas nada de caso pensado. Não querendo tirar minha culpa, mas foi uma expulsão injusta num jogo em que o time precisava ganhar para ser campeão. Aconteceu dessa forma, mas é passado”, finaliza Ferreira, querendo definitivamente colocar uma pedra no assunto.