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Brinco de Ouro completa 65 anos: relembre cinco jogos marcantes

Estádio é o único da cidade a ter recebido finais de Brasileiro e um jogo da Seleção

Símbolo da mudança de patamar do Guarani, Brinco de Ouro completa 65 anos; por mais algum tempo, estádio ainda será a casa do Bugre (Foto: Divulgação)

O Nossa Taba recebe este nome por causa dele e nesta quinta-feira, 31 de maio, é dia de celebrar mais um ano de história de um dos estádios mais simbólicos do futebol brasileiro. Palco de momentos únicos em Campinas, como finais de Campeonato Brasileiro, jogos de Taça Libertadores e uma partida da Seleção Brasileira, o Brinco de Ouro completa 65 anos.

A ideia de um novo estádio começou a ganhar corpo em 1947, quando o Guarani entrou na era da profissionalização e buscava se modernizar. No ano seguinte, ao se deparar com a foto da maquete, o jornalista João Caetano Monteiro Filho, do Correio Popular ‘batizou’ o estádio ao publicar que tratava-se de um Brinco de ouro para a princesa.

Em 31 de maio de 1953, chegou o grande dia e o palco que sediaria as maiores glórias bugrinas não poderá ter tido uma inauguração melhor. Em amistoso contra o Palmeiras, o Guarani venceu por 3 a 1. Nilo, aos 44 minutos do primeiro tempo, marcou em cobrança de falta, no atual gol de entrada, o primeiro tento da história do Brinco. Dido e Augusto completaram para o Guarani e Lima marcou para os visitantes.

Com a sequência das obras, o estádio recebeu as duas cabeceiras e, após o título brasileiro, foi erguido o tobogã, setor que elevou a capacidade de público do estádio em 15 mil pessoas e é, até hoje, uma espécie de xodó dos torcedores, mesmo com a limitação por conta de exigências de seguranças.

Entre tantas e tantas histórias, cada torcedor provavelmente tem sua partida predileta, que não sai da memória. Reunir todas aqui seria impossível, mas o Nossa Taba relembra cinco jogos marcantes, por ordem cronológica, daquela que, pelo menos por mais alguns anos, será a casa do Guarani Futebol Clube.

GUARANI 5 x 1 SANTOS
Campeonato Paulista – 18 de novembro de 1964

Guarani: Sidnei; Oswaldo Cunha, Ditinho e Diogo; Ílton e Eraldo; Joãozinho, Nelsinho, Babá, Américo Murolo e Carlinhos. Técnico: Armando Renganeschi.

Santos: Gilmar; Ismael, Modesto e Geraldino; Zito e Lima; Peixinho, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Gols: Carlinhos, aos 5, Ditinho (contra), aos 6, Joãozinho, aos 7 e Babá, aos 44 minutos do primeiro tempo; Américo Murolo, aos 11 e Nelsinho, aos 40 minutos do segundo tempo.
Público: 25.258 pagantes.
Renda: Cr$ 12.283.200,00.

O maior jogador da história do futebol também desfilou seu talento nos gramados do Brinco, mas naquele 18 de novembro de 1964 Pelé foi mero coadjuvante do massacre bugrino sobre o então bicampeão mundial. Naquele Paulista, o Guarani não fazia boa campanha. O time jovem, comandado pelo argentino Armando Renganeschi, lutava para sair das últimas posições. Naquela noite de quarta-feira, tudo deu certo.

O início de jogo foi elétrico, com três gols entre os 5 e os 7 minutos do primeiro tempo. Carlinhos abriu o placar para os donos da casa, Ditinho marcou contra e deixou tudo igual, mas Joãozinho recolocou o Bugre na frente. Babá, aos 44’, fez 3 a 1. Na etapa final, Américo Murtolo marcou mais um, aos 10’. Três minutos depois, o Santos teve a chance de reagir, mas o goleiro Sidnei virou herói ao defender o pênalti cobrado por Pelé. No fim, Nelsinho marcou o quinto e impôs uma das derrotas mais doloridas daquele time espetacular.

GUARANI 1 x 0 PALMEIRAS
Campeonato Brasileiro – 13 de agosto de 1978

Guarani: Neneca; Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Manguinha; Capitão, Careca e Bozó. Técnico: Carlos Alberto Silva.

Palmeiras: Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão, Alfredo e Pedrinho; Ivo, Toninho Vanusa e Jorge Mendonça; Silvio, Escurinho e Nei. Técnico: Jorge Vieira.

Gol: Careca, aos 36 minutos do primeiro tempo.
Público: 28.287 presentes.
Renda: Cr$ 1.706.280,00.

A maior glória da história bugrina não poderia ter outro palco. Em 13 de agosto de 1978, o desacreditado time do Guarani, repleto de então desconhecidos, chegava no segundo jogo da decisão do Campeonato Brasileiro com a mão na taça. Depois de deixar pelo caminho com autoridade gigantes como Vasco e Internacional, o Bugre já havia feito metade do serviço ao vencer o Palmeiras no Morumbi por 1 a 0, com gol de Zenon, que não atuou na finalíssima.

No jogo no Brinco, a festa foi consagrada. Com gol do jovem talento Careca, então com 18 anos, o Guarani de Carlos Alberto Silva, derrotou a equipe da capital mais uma vez por 1 a 0 e comemorou o título. O único, até hoje, de uma equipe do Interior.

GUARANI 2 x 3 FLAMENGO
Campeonato Brasileiro – 15 de abril de 1982

Guarani: Wendell; Rubense, Jayme, Edson e Almeida; Éderson, Jorge Mendonça e Banana; Lúcio, Careca e Zezé. Técnico: José Duarte.

Flamengo: Raul, Leandro, Figueiredo, Marinho e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Técnico: Paulo Cezar Carpegiani.

Gol: Jorge Mendonça, aos 3 e Zico, aos 22 minutos do primeiro tempo; Zico, aos 3 e aos 21 e Jorge Mendonça, aos 45 minutos do segundo tempo.
Público: 52.002 presentes.
Renda: Cr$ 14.863.400,00.

Pra quem pensava que a campanha de 1978 havia sido só uma zebra ou acidente de percurso, o Guarani tratou de mostrar, quatro anos depois, que estava mesmo entre as principais forças daquela época. Dessa vez, o destaque era um ataque avassalador, que enfileirou goleadas até a semifinal. Do outro lado, o multicampeão Flamengo de Zico.

A equipe rubro-negra, porém, teve muito trabalho. O valente Bugre perdeu de 2 a 1 na ida, no Maracanã, e foi para o jogo em casa com muita esperança de reverter o placar. Ninguém queria perder esse duelo, tanto é que, naquele 15 de abril, um público de mais de 52 mil pessoas compareceu ao Brinco, naquele que ficará eternizado como o maior público da história do estádio.

Em campo, Jorge Mendonça até abriu o placar, mas o Guarani não contava com uma jornada inspirada de Zico – e contribuições do goleiro Wendell. A derrota por 3 a 2 impediu a chegada em mais uma decisão do Brasileiro, mas não apagou aquela campanha e o encontro entre duas máquinas de jogar bola.

BRASIL 2 x 1 BULGÁRIA
Amistoso – 5 de maio de 1990

Brasil: Taffarel; Aldair, Mauro Galvão e Ricardo Gomes; Jorginho, Alemão, Silvas, Valdo e Branco; Müller e Careca; Técnico: Sebastião Lazaroni.

Bulgária: Valov, Dimitrov, Ivanov, Bankov e Vasev; Yanchev, Todorov, Balakov e Yordanov; Kostadinov e Stoichkov. Técnico: Ivan Vutsov.

Gols: Müller, aos 8 e Kostadinov, aos 15 minutos do primeiro tempo; Aldair, aos 35 minutos do segundo tempo.
Público: 51.720 pessoas.

O Guarani é o único clube do Interior a ter cedido seu estádio para uma partida da seleção brasileira principal. Às vésperas do Mundial da Itália, em 1990, os comandados de Sebastião Lazaroni estiveram em Campinas para um amistoso contra a Bulgária, que tinha como destaque o atacante Stoichkov.

A campanha na Copa não seria boa, mas naquele amistoso o torcedor brasileiro comemorou a vitória. Diante do segundo maior público da história do Brinco e com o ídolo bugrino Careca em campo, a seleção derrotou os europeus por 2 a 1.

GUARANI 3 x 1 PONTE PRETA
Campeonato Paulista – 29 de abril de 2012

Guarani: Emerson; Oziel, Neto, Domingos e Bruno Recife; Ewerton Páscoa, Fábio Bahia, Danilo Sacramento e Fumagalli (Medina); Fabinho e Bruno Mendes (Bruno Peres). Técnico: Oswaldo Alvarez.

Ponte Preta: Bruno Fuso; Guilherme, Ferron, Diego Sacoman e Uendel; Xaves (Maranhão), João Paulo Silva, Caio (Enrico) e Renato Cajá; Rodrigo Pimpão (Gerson) e Roger. Técnico: Gilson Kleina.

Gols: Caio, aos 39 minutos do primeiro tempo; Fábio Bahia, aos 8 e Medina, aos 23 e aos 40 minutos do segundo tempo.
Público: 15.179 presentes.
Renda: R$ 414.725,00.

O Brinco de Ouro já recebeu o maior clássico do interior em 63 oportunidades e, nessa lista de jogos marcantes, era obrigação relembrar um Dérbi. Nada melhor, então, do que destacar uma partida de semifinal de campeonato e com um roteiro inesquecível para o torcedor bugrino.

Depois de viver meses sombrios, com direito a meses de salários atrasados e risco de rebaixamento à Série C, o Guarani iniciou o Paulista sem pretensões, mas pouco a pouco o time foi encaixando e surpreendendo. A classificação às quartas de final já parecia bom negócio, mas o time foi além e e confirmou um duelo com a maior rival na semifinal.

No Brinco, a atmosfera era toda positiva, mas a saída do ídolo Fumagalli ainda no primeiro tempo elevou a tensão. O gol adversário que abriu o placar preocupou bastante, mas o time não se abateu. Com um segundo tempo brilhante e no protagonismo do herói improvável Medina, o Bugre virou para 3 a 1 e se garantiu na decisão do Campeonato Paulista pela primeira vez após 24 anos.

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