Não foram apenas o espírito competitivo e o sentimento de que era possível continuar rendendo em alto nível que motivaram Fumagalli a prolongar sua carreira até os 40 anos. Presente em momentos complicados do clube nos últimos anos, o meia tinha a obsessão de recolocar o Guarani nas divisões que estava quando ele retornou, em 2012. Depois da volta à Série B do Brasileiro, faltava a Série A1. Não falta mais. Com a missão cumprida, o ídolo bugrino finalmente poderá pendurar as chuteiras do jeito que sempre quis.
As reações durante a partida contra o XV de Piracicaba foram o reflexo do quanto esse acesso representava para o capitão. Antes do jogo, no último papo no vestiário, ele não deixou de se posicionar como referência e motivar os companheiros. Com a bola rolando, o nervosismo tomou conta com as dificuldades encontradas pelo time no primeiro tempo.
Cumprindo sua função adicional de auxiliar à beira do campo, Fumagalli abraçou emocionado o volante Ricardinho no momento do gol. Nos minutos finais, para delírio das arquibancadas, foi chamado para entrar no lugar de Bruno Mendes e ir a campo pela 306ª vez com a camisa bugrina. E por muito pouco, após passe de Caíque, não fez o Brinco ‘vir abaixo’ com um gol, mas a finalização passou rente à trave esquerda.
Assim que o árbitro encerrou a partida, o peso de tantos anos de batalha escorreu pelos ombros. Fumagalli se ajoelhou, agradeceu a Deus e foi para a festa com a torcida que tanto o adora. Em cima do símbolo do clube que tão bem representou, o meia vibrou como um menino.
“Sonhei com isso, com esse momento. Estou realizado. Deixo o Guarani na primeira divisão do Paulista e na Série B do Brasileiro. O Guarani é muito grande e não merecida essa divisão. Não merecia sofrer cinco anos de Série A2 nesse calvário. Foi muito sofrimento, só quem está aqui dentro sabe o que a gente sofreu. Agora, é alma lavada”, desabafou.
O capítulo final da carreira será escrito na decisão da Série A2, contra o Oeste, provavelmente no sábado. O palco será o Brinco de Ouro ao lado de milhares de bugrinos. Como capitão de fato e de direito do time, só falta um único detalhe para abrilhantar ainda mais o momento: com o título, Fumagalli ter o prazer de levantar seu primeiro troféu com a camisa do Guarani.