13 de agosto de 1978! O dia que definiu uma mudança completa de patamar do Guarani Futebol Clube completa 40 anos. Nesta segunda-feira, o Bugre comemora quatro décadas de sua maior glória. Ao bater o Palmeiras por 1 a 0 no Brinco de Ouro, o Alviverde se tornava campeão brasileiro. O primeiro e único time do Interior do país a poder se orgulhar de um feito como esse.
Com um time repleto de jovens promessas e um técnico até então desconhecido, o Guarani superou obstáculos, derrubou gigantes e, jogo a jogo, se fortaleceu e se credenciou a buscar um merecido título. Na segurança de Neneca, na liderança de Edson, na experiência de Zé Carlos, no talento de Renato, na maestria de Zenon e na genialidade de Careca acompanhados por outros protagonistas comandados pelo mestre Carlos Alberto Silva.
“Foi uma honra ter vestido a camisa do Guarani e ganho esse título. Feliz em fazer parte dessa história. São 40 anos e isso ninguém tira da gente” , destaca Careca. “Muito bom reviver aqueles momentos maravilhosos. Contente com a lembrança e a importância do título. Passamos a ser conhecidos no cenário nacional e internacional. Já faz 40 anos. Até assusta” , diz Renato.
Se em agosto aquele time entrou para a história, muita coisa precisou acontecer antes. Na sexta participação do clube em edições do Campeonato Brasileiro, a estreia foi com uma amarga derrota para o Vasco no Brinco de Ouro. A equipe que alternava seus altos e baixos começou a se encontrar e um jogo teve parcela importante nisso.
“Eu era moleque, primeiro Dérbi e já fazendo dois gols. Isso ajudou na minha afirmação, para mostrar que eu era um atacante diferenciado. Teve um significado muito grande para mim” , conta Careca, autor de dois gols na vitória por 2 a 1 sobre a rival Ponte Preta, no Brinco.
A campanha ainda foi marcada por alguns sustos, como a goleada sofrida para o Remo por 5 a 1. Quando o Guarani estreou na última fase antes do mata-mata, diante do Internacional, no Beira-Rio, muita gente achava que aquela equipe já tinha ido longe demais. O próprio adversário pensava assim e engoliu a empáfia diante de um show de bola. O ‘ataque de riso’ fez os colorados amargarem terem cruzado com aquele Bugre.
“A verdade é que entramos no campeonato apenas para participar. Só que aquela partida contra o Internacional foi um divisor de águas. Vencemos por 3 a 0 e deixamos de apenas participar para disputar o título” , diz Zenon. “A gente não se preocupava com os comentários de fora, mas antes de entrar em campo o Carlos Alberto mostrou a gravação pra gente ver a moral que tinha lá. E 3 a 0 foi pouco, era para ter sido cinco ou seis. O Inter deu sorte” , brinca Bozó.
Depois de empatar com o Goiás na rodada seguinte, o Guarani se tornou invencível e começou a embalar a maior série de vitórias consecutivas da história do Campeonato Brasileiro. Santos, Botafogo-PB, Goytacaz, Botafogo-SP e Londrina ficaram pelo caminho na rota rumo ao mata-mata.
Apenas mais três obstáculos separavam o time da glória. Nas quartas de final contra o Sport, foram duas vitórias incontestáveis (2 a 0 em Recife e 4 a 0 em Campinas). No reencontro com o Vasco, na semifinal, o cenário se repetiu, com o Bugre abrindo 2 a 0 em casa e Zenon calando 100 mil torcedores adversários na volta com dois gols na vitória por 2 a 1 que colocou o clube na decisão.
Uma final que começou nos bastidores. Se time e comissão técnica foram sublimes durante toda a campanha, a diretoria mostrou força para peitar a Federação Paulista e não se curvar aos desejos da entidade de realizar as duas partidas na Capital.
“O Ricardo Chuffi (presidente) e o Michel Abib (vice) bateram o pé. Se dependesse da Federação, seriam dois jogos com árbitro paulista e o que você acha que iria acontecer?” , indaga Bozó. “É preciso parabenizar a diretoria do Guarani. Eles brigaram pelo segundo jogo em Campinas” , destaca Zenon.
Em 10 de agosto, cerca de 25 mil bugrinos foram ao Morumbi e calaram os palmeirenses. A ‘catimba’ do inexperiente Careca enervou o rodado Leão e o pênalti marcado pelo árbitro Arnaldo César Coelho permitiu que Zenon, suspenso da partida decisiva, desse sua última contribuição em campo. “Quando entramos na final eu já tinha certeza que seria campeão” , garante o camisa 10. “Vencemos a primeira partida por 1 a 0 e o fato de não ter atuado o segundo jogo não me deixou magoado. Meu trabalho já estava terminado” .
Três dias depois, 28.287 pessoas encheram o Brinco de Ouro para ver a consagração daquele time que começou desacreditado por muitos. O Guarani poderia até perder por um gol de diferença, mas presenteou seu torcedor com mais uma vitória. Aos 36 minutos do primeiro tempo, o lance começou num chutão de Neneca, teve um desvio de Manguinha e contou com a insistência de Careca para roubar a bola de Beto Fuscão. Bozó poderia ter sido o autor do gol do título, mas Gilmar não deixou. A redonda caiu justamente no pé direito do artilheiro e Careca conferiu o rebote para definitivamente colocar a estrela dourada no escudo do clube.

No último sábado, no intervalo do jogo contra o Fortaleza, o ex-meia Renato e o ex-ponta Bozó deram volta olímpica com a Taça das Bolinhas; nesta segunda-feira, o clube prepara uma festa aos campeões (Foto: Letícia Martins/Guarani Press)