Valer o acesso à elite do Campeonato Paulista já é motivo suficiente para tornar diferente o confronto entre Guarani e XV de Piracicaba, mas todos os episódios registrados no jogo de sábado, em Piracicaba, foram capazes de aumentar esse clima de hostilidade e se tornarem uma grande preocupação para o que pode acontecer nesta quarta-feira, no Brinco de Ouro.
No final de semana, o Barão da Serra Negra recebeu o maior público da Série A2, com direito a mais de 2500 bugrinos. Antes da partida, o clima foi de normalidade em quase todos os momentos, exceto num tumulto ocorrido em uma lanchonete próxima ao estádio, quando houve corre-corre e agressões após um grupo de torcedores da equipe da casa atacar os visitantes.
Na chegada da delegação bugrina, os tradicionais xingamentos não foram os únicos meios que os quinzistas utilizaram para tentar desestabilizar o adversário. O Flecha Verde foi atingido por pedradas, mas ninguém foi atingido e o Bugre conseguiu desembarcar sem maiores sustos.
Durante o jogo, a atmosfera foi mais do que positiva, com festa de ambos os lados e ‘guerra’ apenas na disputa de quem cantava e apoiava mais seu clube. Assim que a bola parou de rolar, no entanto, mais problemas. Impedida de deixar o estádio pela Polícia Militar, a torcida do Guarani foi alvo de pedradas e outros objetos atirados pelos rivais, que estavam do lado de fora. Ninguém se feriu, mas a demora para a autorização da saída aumentou a tensão.
Agora, o cenário se inverte completamente. O jogo é no Brinco de Ouro, com maioria absoluta de bugrinos e uma preocupação grande com os rumos dessa partida. Pelas redes sociais, principalmente na página do XV, as provocações de ambos os lados já vêm desde sábado com algumas ameaças e promessas de ‘troco’ pelo que aconteceu em Piracicaba.
A chegada do ônibus com a delegação do Nhô Quim e de seus torcedores também causam atenção de autoridades. Como a entrada da equipe visitante fica na avenida onde se concentram os bugrinos, é quase certo que a recepção não será amigável. Em relação à torcida, uma reunião entre representantes dos dois clubes e do BAEP (Batalhão de Ações Especiais da Polícia) definirá detalhes sobre a segurança da partida e a logística no Brinco.
A preocupação com o tema chegou até aos jogadores e foi comentado por Ricardinho. O volante do Guarani, ao responder uma pergunta sobre o clima de ‘guerra’, não pilhou ainda mais esse duelo. Pelo contrário, pediu responsabilidade.
“A gente precisa ter um pouco de cuidado, principalmente pelo que aconteceu no extra-campo. Quem estava lá, viu o que aconteceu na chegada do ônibus, depois do jogo. É preciso diferenciar uma coisa da outra”, disse. “Dentro de campo, buscamos fazer o melhor, nos dedicamos integralmente, mas quando passa para fora é preciso ter um pouco de cuidado. Deixamos toda nossa garra, nossa vontade, mas deve ser num contexto esportivo. Vida do ser humano tá acima de qualquer coisa”, analisou.
A promessa na quarta-feira é de Brinco de Ouro lotado. Os torcedores bugrinos já compraram cerca de 10 mil ingressos e as entradas para o tobogã estão esgotadas. Para os quinzistas, a carga é de 1.400 bilhetes. Guarani e XV se enfrentam às 20h30 no jogo de volta das semifinais e, quem vencer, garante o acesso e a vaga na final. Novo empate, como foi na ida, força uma disputa por pênaltis.