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Guarani 0 x 0 São Bento: o que as estatísticas mostram

Bugre tenta apresentar ‘outra cara’, mas segue sem sair do lugar

Erik foi a novidade que buscou mudar a característica do Guarani em campo: time ganhou em velocidade, mas pensou e executou pouco o jogo (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

Pela primeira vez na Série B do Brasileiro – e apenas a segunda em toda a temporada – o Guarani terminou uma partida no Brinco de Ouro sem balançar a rede – pelo menos segundo os critérios da arbitragem, que anulou um gol bastante discutível do zagueiro Edson Silva no segundo tempo. Dessa vez, a defesa, apesar de um apuro ou outro, também conseguiu terminar o jogo sem ser vazada e o empate em 0 a 0 com o São Bento, tão criticado pela torcida, mostrou um time que, mesmo procurando outras alternativas, segue sem sair muito do lugar.

Umberto Louzer resolveu retomar as características da equipe que fez sucesso no início da temporada. Ao invés de jogadores de mais organização, como são Rafael Longuine, Guilherme e Rondinelly, optou por atletas de mais força pelos lados e que gerassem amplitude frente a um sistema defensivo bem postado.

As entradas de Caíque e Erik tornaram o Bugre uma equipe que buscou ser mais vertical em detrimento de ter o controle da posse de bola. Pela primeira vez, o Alviverde trocou menos de 300 passes certos jogando em casa – foram 294 – e a posse de bola foi bem dividida com o adversário – 50,2% a 49,8%.

Com a dupla, os donos da casa começaram o jogo apostando na movimentação. Eles inverteram de lado com poucos minutos, ofereceram alternativas, mas as coisas não funcionaram. Muito por conta de dois aspectos. Denner não conseguiu desempenhar com a mesma eficácia o papel de Ricardinho. O volante até usou o chute de fora da área como arma e acertou uma das únicas duas finalizações certas do time, mas não fez o trabalho de transição ofensiva e trabalhou pouquíssimo no último terço.

Quem também não colaborou foi Rafael Longuine. Mesmo sem a obrigação de acompanhar o lateral adversário, o meia não conseguiu organizar o jogo. Foram poucas combinações com os companheiros de frente (duas com Bruno Mendes, três com Caíque e quatro com Erik) e nenhuma assistência para finalização sequer.

Absorto pela forte marcação, o centroavante Bruno Mendes saiu costumeiramente da área para buscar jogo e, fugindo de sua característica, foi presa fácil, tendo perdido dez vezes a posse da bola, mais do que qualquer outro atleta em campo.

A falta de alguém que pudesse levar a bola com qualidade ao ataque forçou o time a utilizar bastante a bola longa – foram 24 lançamentos só no primeiro tempo – e isso deu campo ao São Bento, que conseguiu, em determinado momento, ter bem mais posse de bola e volume ofensivo contra um adversário que se via sem alternativas.

Na volta do intervalo, o Guarani apresentou mais apetite. Com os laterais se soltando um pouco mais, a equipe conseguiu aparecer com mais frequência nas imediações da área adversária e trocou bem mais passes no último terço – 35% no segundo tempo contra 14% na etapa inicial. Apesar de dar mais trabalho ao São Bento, faltava aquele toque final, como em lance logo aos 4′ que Rafael Longuine não alcançou a batida cruzada de Caíque.

Quando Umberto Louzer tirou o pouco inspirado Rafael Longuine para apostar em Guilherme, esperava-se uma equipe mais dinâmica, mas o substituto não entrou bem. Teve quatro perdas de posse e ainda cedeu dois contra-ataques ao adversário. Erik também caiu de rendimento e Caíque foi quem tentou, mais na base da vontade, produzir algo. Foi justamente numa bola disputada pelo atacante que Bruno Mendes teve a oportunidade do jogo, mas desperdiçou.

O gol anulado de Edson Silva mexeu com o psicológico da equipe. Nem tanto pelo lance em si, que foi bastante polêmico, mas porque o placar ainda apontava 0 a 0 e o relógio andava cada vez mais rápido. A responsabilidade por conseguir o resultado foi pesando, a ansiedade aumentando e os equívocos se multiplicando. O lateral-direito Kevin, por exemplo, errou impressionantes 18 passes na partida.

Nos minutos finais, com o desespero batendo, a organização foi pro espaço de vez. No últimos 15 minutos da partida, o Guarani tentou 50% das finalizações de toda a partida (6 de 12), mas nenhuma em direção ao gol. Rodrigo Viana, que havia trabalhado nas conclusões de longe de Edson Silva e Denner no primeiro tempo, sequer sujou o uniforme após o intervalo. Uma clara demonstração da falta de capacidade do Guarani em primeiro criar e, depois, saber aproveitar.

Com dois empates seguidos em casa, o Guarani perde uma oportunidade valiosa de subir na tabela e acumular uma gordura que pode ser importante lá na frente. Mas não são apenas os tropeços em casa que devem preocupar. Em termos de desempenho, a equipe continua devendo bastante. Que os desfalques fazem a diferença e o elenco é limitado, não resta dúvida, mas é na dificuldade que o trabalho precisa aparecer e alternativas para ao menos preencher algumas lacunas precisam ser encontradas o quanto antes.

Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)

Posse de bola: Guarani 50,2% x 49,8% São Bento
Passes certos: Guarani 294 x 251 São Bento
Passes errados: Guarani 49 x 71 São Bento
Finalizações certas: Guarani 2 x 4 São Bento
Finalizações erradas: Guarani 10 x 7 São Bento
Desarmes: Guarani 12 x 12 São Bento
Cruzamentos: Guarani 31 x 22 São Bento
Lançamentos: Guarani 44 x 46 São Bento
Escanteios: Guarani 7 x 5 Vila Nova
Faltas cometidas: Guarani 11 x 15 São Bento
Rebatidas: Guarani 44 x 59 São Bento

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