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CSA 1 x 2 Guarani: o que as estatísticas mostram

Vitória premia poder de reação e maturidade do Bugre em Maceió

Bruno Mendes perdeu chance clara no primeiro tempo, mas dessa vez o castigo não veio: Guarani foi buscar o resultado e mereceu a virada (Foto: Itawi Albuquerque/Ascom CSA)

A primeira vitória do Guarani fora de casa na Série B do Brasileiro foi conquistada com suor e dedicação, mas essas não foram as únicas virtudes apresentadas pela equipe no jogo contra o CSA. Pressionado pelo desempenho ruim como visitante, o Bugre mostrou poder de reação para superar um momento desfavorável e maturidade para sustentar a vantagem até o final. Não foi uma atuação regular nos 90 minutos, mas a equipe soube se comportar nos momentos-chave.

A escolha de Umberto Louzer por Denner no time foi com a ideia de ter um meio-campo mais reforçado, mas sem se tornar defensivo em excesso. Embora volante, o jogador tem algumas características semelhantes a Rondinelly e foi esse padrão que o treinador tentou implantar desde o início.

O primeiro tempo foi bastante morno. A missão do Guarani em minar a tentativa de pressão do CSA, empurrado pelo torcedor que encheu o Rei Pelé, só não deu certo por completo graças a um lance fortuito. O  bom preenchimento do meio-campo por parte dos visitantes tirou o conforto dos mandantes, que quase não conseguiram criar. Além disso, a válvula de escape com Niltinho não funcionou devido à boa recomposição defensiva e Daniel Costa pouco organizou o jogo.

Só que o Bugre, ao mesmo tempo em que quase não foi agredido, também pouco agrediu. Mais uma vez, o Alviverde teve mais posse de bola (55% a 45% no primeiro tempo), mas não transformou isso em oportunidades concretas. Denner, Guilherme e Rafael Longuine alternaram posicionamento, mas a lentidão na transição ofensiva de outros jogos deu as caras. Dos cinco chutes da equipe no primeiro tempo, apenas um foi em direção ao gol e nem foi a chance mais clara. Essa caiu nos pés de Bruno Mendes, que não aproveitou o recuo errado do zagueiro Xandão.

O CSA até arriscou mais e exigiu duas defesas de Bruno Brígido antes do intervalo, mas o gol que abriu o placar foi num lance em que os bugrinos deram todas as possibilidades. O toque no braço desnecessário de Guilherme originou a falta frontal e o desvio de Edson Silva no meio do caminho transformou em gol uma cobrança que passaria bem longe da meta.

Parecia o prenúncio de roteiro repetido. Guarani com posse de bola, perdendo chance clara de gol e sendo vazado num lance ‘morto’. Tudo o que aconteceu em jogos anteriores estava ali, de lição,  mas dessa vez a equipe soube absorver e voltar do intervalo com outra atitude.

É verdade que Michel Douglas deu um susto numa cabeçada no início do segundo tempo, mas o caminho bugrino estava direcionado. Denner voltou para organizar o jogo mais de trás, dando liberdade para a movimentação de Guilherme e Longuine. Os avanços nas costas do lateral-esquerdo Rafinha eram a senha. A teoria estava montada, faltava a prática. Lenon era a ausência mais sentida, mas seu substituto fez o lance que começou a mudar a história do jogo. O passe primoroso de trivela de Kevin encontrou a infiltração de Guilherme no espaço vazio. Coube ao meia ser eficiente na conclusão para empatar.

O mesmo lado direito foi o caminho da virada. A liberdade de movimentação para os dois meias permitiu que Rafael Longuine – e não Guilherme – atacasse o espaço dois minutos depois. Se a intenção era cruzar ou chutar, pouco importa. O que valeu é que a bola que saiu dos pés do camisa 10 encontrou a rede e colocou o Guarani em vantagem.

O Bugre já tinha alcançado uma tarefa difícil, que era passar à frente no marcador. Faltava a segunda parte e ela consistia em segurar o resultado. Com pelo menos mais de 30 minutos de bola rolando, tudo levava a crer uma pressão insistente do CSA, com os visitantes recuados. Foi aí que entrou em ação a maturidade dos bugrinos.

A não ser nos instantes finais, em nenhum momento o time ficou enfiado atrás esperando ser atacado. Por mais que não tenha oferecido grandes riscos ao adversário, o Guarani soube segurar a bola na frente, dividiu a posse da redonda com o rival (52% a 48% a favor dos alagoanos no segundo tempo) e isso enervou os donos da casa.

A compactação defensiva bugrina funcionou – reforçada pela entrada de Willian Oliveira – e os espaços do CSA foram escassos. Nenhum passe quebrou a última linha de marcação e deixou Bruno Brígido em apuros. Percebendo essas dificuldades, os alagoanos resolveram explorar as bolas aéreas. Cavando – e conseguindo – muitas faltas na intermediária, abusaram dos chuveirinhos, mas os defensores bugrinos foram soberanos.

Prova da eficácia do Guarani no segundo tempo foi o fato de que, com exceção daquela cabeçada de Michel Douglas no início, o CSA não finalizou mais nenhuma vez em direção ao gol. Nem na última chance do jogo, justamente no período recente mais crítico do Alviverde. A bola que balançou a rede de Bruno Brígido contra Fortaleza, Goiás e Juventude dessa vez saiu pela linha de fundo e foi o ato final de uma vitória redentora para o time de Umberto Louzer

Estatísticas do jogo (via SofaScore)

Posse de bola: CSA 48% – 52% Guarani
Passes certos: CSA 264 x 286 Guarani
Finalizações: CSA 19 x 12 Guarani
Finalizações certas: CSA 4 x 4 Guarani
Faltas cometidas: CSA 22 x 21 Guarani
Escanteios: CSA 5 x 8 Guarani
Duelos vencidos: CSA 65 x 58 Guarani

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