A confirmação do presidente Palmeron Mendes Filho da interrupção do repasse de R$ 350 mil por parte do Grupo Magnum pelos próximos dez meses gerou preocupação em relação a como o clube conseguirá arcar com suas despesas no período. O tema também foi assunto da entrevista da juíza Ana Cláudia Torres Vianna publicada nesta quinta-feira pelo Correio Popular. A magistrada disse que tem conhecimento da situação e confirmou que, caso haja algum problema que interfira no pagamento dos credores ou prejudique a folha salarial do clube, terá que se pronunciar e intervir.
A ‘mesada’ que a empresa de Roberto Graziano destina ao clube é fruto do acordo pela alienação do Estádio Brinco de Ouro, que contempla também a construção de um novo estádio, clube social e centro de treinamento. Em 2016, porém, durante a campanha do acesso na Série C do Brasileiro, o Bugre solicitou à Magnum o adiantamento de dez parcelas para que pudesse ‘turbinar’ a equipe que viria a ser vice-campeã.
Num primeiro momento, a interrupção do repasse aconteceria no ano passado, mas diante das dificuldades do Alviverde na montagem do elenco e para pagamento da folha salarial, um novo acordo delineou que essa ‘compensação’ aconteceria a partir de junho deste ano, como confirmou o presidente bugrino em reunião do Conselho Deliberativo há 15 dias.
Segundo a juíza, o acordo não passou pela Justiça e ela espera que haja entendimento entre as partes. Todos os meses, um auditor vai ao Brinco de Ouro e tem acesso a todas as despesas do clube para que haja uma prestação de contas do que foi pago. Com as cotas da Federação Paulista e da Confederação Brasileira de Futebol bloqueadas pela Justiça Trabalhista, 80% desses valores são destinados para que o Guarani honre com seus compromissos e há um controle rigoroso sobre isso.
“É uma situação que tenho conhecimento, embora não tenha deliberado sobre isso. Sei que em 2016 foram feitos os adiantamentos para serem descontados em 2017, mas no ano passado ainda havia dificuldades severas com folha de pagamento e foi combinado entre eles que o parcelamento ocorreria em 2018. Se eles resolverem, é reconhecido pelo clube que o pagamento foi feito”, disse a magistrada à reportagem.
Na visão da Justiça, duas são as prioridades. Primeiro é o pagamento total das dívidas que ainda existem, que hoje giram em torno de 40 processos. Além disso, Ana Cláudia Torres Vianna espera responsabilidade do clube para que não haja problemas com o passivo trabalhista. Por enquanto, a juíza acompanha o caso sem se manifestar, mas confirma que, se necessário, poderá tomar a frente na situação.
“Se houver consenso entre eles (Guarani e Magnum) e os trabalhadores forem pagos aqui, não tenho interesse em reconhecer que isso não poderia ser feito, mas se faltar dinheiro para trabalhador ou folha salarial, vou ter que analisar essa questão, se o pagamento foi válido ou não”, avalia. “Como oficialmente não me manifestei, estou deixando o tempo passar. Se houver conflito, terei que me pronunciar e, como o pagamento não foi do meu conhecimento para autorização, pode ter que voltar para o processo e fica uma dívida do Guarani com o alienante para se acertarem depois”, explica.
Sobre o processo de cogestão de futebol que está em discussão no clube, a magistrada diz não saber de maiores detalhes, mas confirma que nessa questão a Justiça não deve realizar qualquer interferência por se tratar de algo ‘separado’ do acordo realizado em 2015.
“O que trouxeram para mim é que são estudos e, quando for concreto, vão me apresentar. Eu não administro o clube e, se não impactar no cronograma de pagamento, não tenho interesse em me manifestar. Se houver a terceirização, me disseram que todas as dívidas serão pagas”, comentou a juíza que, por fim, falou sobre o atual estágio das dívidas do clube e analisou a situação como ‘controlada’.
“Com toda a dificuldade que já tivemos, é possível dizer que agora está tudo controlado, são apenas 40 processos. É claro que ainda existem coisas importantes a serem resolvidas, mas do que era para o ponto que estamos agora, vejo o Guarani como um clube viável”, detalha. “As dívidas trabalhistas estão administradas e o passivo não é grande. Ainda precisam administrar as pendências com a previdência, mas isso com receita é outra história. Com um acesso para a Série A, as coisas mudam substancialmente”, finaliza.