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Estatísticas

Guarani 1 x 1 Boa Esporte: o que as estatísticas mostram

Bugre não liquida o jogo, bobeia de novo e presenteia adversário com o empate

Guarani melhorou no segundo tempo após a entrada de Matheus Oliveira, mas outra vez o time sucumbiu nos minutos finais (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

Quem olha apenas o empate em 1 a 1 do Guarani com o Boa Esporte e a onda de insatisfação do torcedor pode imaginar ter sido mais uma atuação trágica de um time que ainda não conseguiu desencantar na Série B do Brasileiro. No entanto, o resultado precisa ser analisado sob alguns aspectos. Não foi um desempenho maravilhoso, longe disso, mas o Bugre teve volume suficiente para vencer até sem maiores problemas. Em que pese estar do outro lado o pior time do campeonato, isso nem é um grande mérito. O problema é que o Alviverde resolveu colocar tudo a perder ao não liquidar a partida e dar outra bobeada fatal nos minutos finais.

Em números, esse foi o jogo em que o time mais finalizou (17 tentativas) e o terceiro em quantidade de passes trocados e posse de bola. Um domínio que durou cerca de 60/65 minutos, mas que não soube ser aproveitado e mantido, principalmente após a abertura do placar.

Umberto Louzer mandou a campo praticamente o mesmo time do segundo tempo com o Avaí – a exceção foi a entrada de Georgemy no gol. Uma equipe mais leve, com volume ofensivo e de bom trato com a bola. Só que o comportamento do adversário atrapalhou bastante a iniciativa. O Guarani foi dono do primeiro tempo, com 68,4% de posse de bola e mais que o triplo de passes trocados (226 a 68).

Bola no pé, porém, não foi sinônimo de efetividade. A equipe teve paciência, procurou os espaços, mas lhe faltou objetividade. No primeiro tempo, apesar das sete finalizações, só duas foram em direção ao gol e apenas a tentativa de Rafael Longuine bloqueada pela defesa foi realmente perigosa. Os dois volantes até realizaram bem a transição ofensiva, mas praticamente não apareceram como elemento surpresa na área. Ricardinho manteve a regularidade, mas não se destacou como outras vezes, enquanto Denner até se arriscou um pouco mais, mas sem sucesso.

O grande obstáculo do Bugre na etapa inicial foi a dependência exagerada do lado direito. Por lá, a equipe teve 40% do total de posse de bola. Um pouco mais solto, Kevin apareceu com frequência no ataque e foi o líder de assistências para finalizações no jogo, com quatro. Em sua despedida do clube, Bruno Nazário não se omitiu. Foi bastante procurado pelos companheiros, arriscou – foram quatro chutes no total -, mas algumas vezes de maneira precipitada.

Já o lado esquerdo foi nulo em termos ofensivos no primeiro tempo. Pará e Caíque tiveram apenas quatro combinações entre si e nenhuma que tenha gerado finalização. A atuação extremamente apagada do atacante foi percebida pelo técnico Umberto Louzer, que mexeu já no intervalo.

A entrada de Matheus Oliveira deu uma nova cara ao time. Apesar da característica do meia de individualizar mais as jogadas, com a presença dele as responsabilidades ofensivas foram divididas, os donos da casa ampliaram seu repertório e o jogo fluiu. Durante os primeiros 15 minutos, foram cinco tentativas de gol. Se Bruno Mendes praticamente não pegou na bola – o atacante terminou o jogo sem sequer uma finalização – foi Rafael Longuine quem apareceu na área para definir as jogadas. Depois de não aproveitar duas chances, o meia não vacilou na terceira vez e abriu o placar após outro passe de Kevin – um minuto antes, Matheus Oliveira havia acertado a trave.

Depois da opção de trocar a cadência pela verticalidade, o Guarani passou a esperar um adversário mais exposto e que, naturalmente, se enfraqueceria defensivamente. Foi exatamente isso que aconteceu. O Boa Esporte equilibrou as ações e teve que mudar de estratégia. A história do confronto poderia ser totalmente diferente não fosse a grande defesa do goleiro Fabrício na cabeçada do zagueiro Edson Silva.

Ali, o jogo estaria liquidado, mas a bola não entrou e os visitantes foram, pouco a pouco, tomando coragem. Depois de finalizarem apenas uma vez no primeiro tempo, os mineiros tiveram seis tentativas na etapa final, sendo cinco delas depois da abertura do placar. O deficiente lado esquerdo bugrino foi o caminho escolhido e por lá o Guarani passou alguns apuros.

Nos últimos 15 minutos, o Bugre mais tentou administrar a vitória do que propriamente agredir para buscar defini-la. Nesse período, o time não completou nenhum desarme e abusou dos lançamentos (11) ao invés de tentar cozinhar o jogo com a posse longe de seu gol. Ainda assim, a partida estava controlada, com o estreante Georgemy tendo feito apenas uma defesa.

Aos 41′, porém, as estruturas se abalaram. Exatamente depois da saída de Bruno Nazário, a defesa bugrina dormiu no ponto numa jogada de bola parada – como já havia acontecido no gol de empate do Avaí na rodada passada – e Manoel contou com uma parcela de colaboração do goleiro bugrino para deixar tudo igual.

O gol derrubou o estado anímico da equipe, que viu os fantasmas de jogos anteriores reaparecerem. Nos minutos finais, o que se viu foi um Guarani desesperado, que cedeu espaços não aproveitados pelo limitadíssimo time do Boa Esporte e tentou o gol na marra. Na base do trabalho coletivo seria impossível, então Matheus Oliveira, por meio da individualidade, tentou, mas a última chance parou na defesa do goleiro adversário.

Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)

Posse de bola: Guarani 63% x 37% Boa Esporte
Passes certos: Guarani 411 x 161 Boa Esporte
Passes errados: Guarani 47 x 27 Boa Esporte
Finalizações certas: Guarani 7 x 2 Boa Esporte
Finalizações erradas: Guarani 10 x 5 Boa Esporte
Desarmes: Guarani 9 x 11 Boa Esporte
Cruzamentos: Guarani 25 x 22 Boa Esporte
Lançamentos: Guarani 38 x 45 Boa Esporte
Escanteios: Guarani 8 x 3 Boa Esporte
Faltas cometidas: Guarani 18 x 21 Boa Esporte
Rebatidas: Guarani 25 x 31 Boa Esporte

 

 

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