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Estatísticas

Guarani 2 x 0 CRB: o que as estatísticas mostram

Jogo segue padrão esperado, mas Bugre cresce de produção para vencer

Guilherme simbolizou bem a atuação do Guarani: muitos erros no primeiro tempo, mas atitude e qualidade depois do intervalo (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

O Nossa Taba adiantou na sexta-feira o que aguardaria o Guarani no jogo contra o CRB. A expectativa, pelo padrão apresentado pelo adversário nas rodadas anteriores da Série B, era de um time com posse de bola e constante troca de passes, mas que se expõe e sofre muitos gols. Quase tudo isso aconteceu no jogo de sábado no Brinco, mas o Bugre encontrou resistências até explorar o ponto fraco dos alagoanos e, no segundo tempo, crescer de produção para conseguir a vitória.

As estatísticas da partida, segundo o Footstats, apontam o padrão que já era esperado. O CRB terminou a partida com 58,5% de posse de bola contra 41,5% do Guarani, além de 485 passes certos, enquanto os donos da casa trocaram 317.

Mesmo com esse domínio territorial, em momento algum os visitantes foram donos do jogo. Ter a redonda nos pés, dessa vez, servia mais como uma forma de abafar a pressão e tentativa de imposição dos anfitriões. O Bugre acabou ajudando na estratégia do adversário ao fazer um primeiro tempo abaixo da crítica. Contra um rival que marcava forte, o Alviverde sentiu a falta de um desafogo.

Rondinelly e Rafael Longuine, de características semelhantes, não davam a dinâmica necessária e Guilherme, a peça de velocidade que precisava ser acionada, não rendeu na etapa inicial. Nos primeiros 45 minutos, o meia deu apenas oito passes e teve quatro perdas de posse.

Sem drible, capacidade de penetração ou infiltração, a bola no chão não funcionava e o jeito era jogá-la para a área em busca da presença de área de Anselmo Ramon ou até de um bom pivô do atacante. Foram 11 cruzamentos antes do intervalo, mas nenhum deles com efeito prático.

Na contramão do desempenho deficiente da equipe, uma figura em campo se destacava pela participação ativa. Era Ricardinho. O volante foi quem mais buscou combinações no primeiro tempo e em todos os espaços do campo, seja pelo lado direito com Lenon (15) e Guilherme (5), ou pela esquerda com Pará (6) e Rafael Longuine (7).

Essa voluntariedade acabou premiada com um golaço, aos 39 minutos, num chute que morreu no ângulo direito de João Carlos. O lance, que premiava o desempenho individual do melhor atleta da equipe, mas não era condizente com o rendimento coletivo, foi determinante para o que viria dali pra frente.

Que o CRB se lançaria mais no segundo tempo e daria espaços, era evidente, mas o Guarani também mudou seu comportamento para melhor. Sabendo agredir as brechas, os donos da casa foram intensos e objetivos nos primeiros 15 minutos. Foram seis finalizações – sendo quatro certas – com apenas 41 passes trocados. Ou seja, a cada sete passes, em média, o time arriscava uma conclusão.

Dois símbolos dessa melhora foram Guilherme e Anselmo Ramon. Errático antes do intervalo, o meia voltou aceso e acabou a partida como o atleta com mais chutes (4) no jogo em que o Alviverde bateu seu recorde de finalizações certas na Série B (8). Esse crescimento também permitiu que o time ficasse propositalmente mais ‘penso’ do lado direito. Com Pará desgastado, o Bugre concentrou o jogo com Lenon e Guilherme (43% do tempo em que a equipe teve a bola no segundo tempo foi por aquele lado)

Já Anselmo Ramon, mesmo tendo passado em branco dessa vez, teve participação muito mais ativa na etapa final. Com os companheiros mais próximos, o atacante fez o trabalho de pivô e também saiu da área. Numa dessas ocasiões, fez o cruzamento que originou o pênalti em Rafael Longuine e o gol de Rondinelly.

O 2 a 0 que liquidaria a fatura permitiu ao Guarani dosar o ritmo e mudar de estratégia. Já não era mais necessário agredir e a responsabilidade era toda do CRB. Esse foi o momento em que os visitantes dispararam na porcentagem de posse de bola, mas em momento algum esboçaram qualquer tipo de reação porque a defesa bugrina, ao contrário de outros jogos, teve um comportamento quase que irretocável.

O Alviverde permitiu apenas oito finalizações do adversário – antes desse jogo, a média era de quase 14 por partida. Desse total, apenas uma teve direção do gol de Bruno Brígido, mas foi de fora da área e ainda no primeiro tempo. Ou seja, em momento algum a bola rondou perigosamente a meta bugrina durante a etapa final. Individualmente, Edson Silva se destacou com sete rebatidas e foi lembrado pelo técnico Umberto Louzer como um dos destaques após o jogo.

Com o ataque se entendendo melhor e a defesa em noite segura, o Guarani confirmou sem nenhum problema a vitória em casa e o terceiro jogo de invencibilidade. Agora, no caminho do Bugre estão dois compromissos como visitante, condição em que resultado e desempenho não tem agradado. A equipe leva virtudes desse jogo contra o CRB, mas precisa seguir consciente de suas limitações e dificuldades para que possa encontrar alternativas de superá-las.

Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)

Posse de bola: Guarani 41,5% – 58,5% CRB
Passes certos: Guarani 317 x 485 CRB
Passes errados: Guarani 39 x 41 CRB
Finalizações certas: Guarani 8 x 1 CRB
Finalizações erradas: Guarani 8 x 7 CRB
Desarmes: Guarani 9 x 12 CRB
Cruzamentos: Guarani 16 x 19 CRB
Lançamentos: Guarani 38 x 41 CRB
Escanteios: Guarani 6 x 2 CRB
Faltas cometidas: Guarani 11 x 13 CRB
Rebatidas: Guarani 19 x 27 CRB

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