Conecte-se conosco

Estatísticas

Guarani 2 x 3 Ponte Preta: o que as estatísticas mostram

Erros em profusão e falta de competitividade marcam derrota bugrina no Dérbi

Bruno Mendes durante disputa de bola no Dérbi: pouco acionado e absorvido pela marcação rival, atacante teve participação praticamente nula no jogo (Foto: Denny Cesare/Código 19)

Enfrentar o maior rival exige nível de concentração alto e margem de erro próxima a zero. O Guarani não teve nem uma coisa, nem outra e, por isso, amargou a justa derrota por 3 a 2 no Dérbi contra a Ponte Preta, sábado, no Brinco de Ouro, pela quarta rodada da Série B. Sem ainda conseguir emplacar uma atuação convincente no Brasileiro, o Bugre pagou por várias deficiências mostradas diante de um rival que soube executar com precisão sua estratégia.

Com tempo para trabalhar e o retorno de peças importantes, a expectativa era de um time que apresentasse imposição contra um adversário que vinha de duas derrotas seguidas. Quem vê os números finais do jogo, com o Guarani com 62% de posse de bola (segundo o Footstats), pode até imaginar esse domínio, mas na prática isso não aconteceu em momento algum.

O aspecto que melhor ilustrou o que foi a partida diz respeito às transições executadas pelos dois times. Enquanto o Guarani não teve competência quando invadia o campo adversário com a bola dominada, a Ponte envolvia facilmente quando partia em contra-ataque. E, na hora da recomposição, a fazia com muita eficiência impedindo que os avanços em velocidade dos donos da casa se concretizassem.

O primeiro tempo bugrino foi, disparadamente, o pior período do time em toda a temporada. Com apenas 79% de eficiência nos passes, o Alviverde não competiu como fez sua rival e foi dominado tanto em sentido territorial, como em oportunidades criadas. Na etapa inicial, a Ponte Preta finalizou em direção a gol o triplo de vezes dos donos da casa (6 a 2) mesmo tendo menos a bola. A abertura do placar por parte do Guarani, em um lance de bola parada, só mascarou a realidade da partida, que acabou se tornando mais fiel ao que acontecia em campo quando os visitantes viraram o marcador.

Muito se esperava da reedição do quarteto ofensivo, que tanto sucesso fez na Série A2, mas a parceria formada por Bruno Nazário, Rondinelly, Erik e Bruno Mendes, que vinha com 71% de aproveitamento, sucumbiu. Com Nazário e Erik especialmente pouco inspirados pelos lados, Rondinelly e Bruno Mendes foram quem mais combinaram jogadas ofensivas (7), número muito abaixo do esperado. Absorvido pela marcação rival, o centroavante por vezes tentou abrir espaço buscando jogos pelos flancos, mas sem sucesso. Não à toa, finalizou apenas uma vez – errado – durante todo o tempo em que permaneceu em campo.

Bruno Nazário e Erik, aliás, merecem uma menção à parte. O primeiro teve nove perdas de posse de bola e foi líder no quesito do time. Já o segundo participou pouco da partida, mas quando teve a redonda nos pés, decepcionou. Dos 14 passes que tentou, errou quatro e a única finalização foi fraca e não deu trabalho ao goleiro. Dois dos mais insinuantes atletas do time, eles também não acertaram nenhum drible. Aliás, ninguém do time conseguiu quebrar a defesa adversária com uma jogada individual.

Se o setor ofensivo, apesar dos dois gols, apresentou deficiências, lá atrás, a defesa bugrina outra vez passou por maus bocados. Além dos erros individuais de Marcílio, que levou a pior duas vezes contra André Luís, coletivamente o Bugre deu muitas oportunidades ao adversário. Mesmo em casa e precisando correr atrás do resultado, o time viu o adversário ser mais perigoso. Das nove finalizações da Ponte Preta, sete foram de dentro da área. Além dos três gols, as outras quatro conclusões só não tiveram o mesmo destino porque o goleiro Bruno Brígido estava em noite inspirada e evitou que a derrota se transformasse numa vexatória goleada.

E o empate, que pelas circunstâncias já seria considerado um resultado e tanto, não foi digno de ser alcançado. Assim como na derrota para o Atlético-GO, o Guarani não conseguiu ser agressivo após o segundo gol. Rondou a área rival, é verdade, mas errou em quase todas as tomadas de decisão, não exigiu nenhuma defesa de Ivan nos minutos finais e ‘consagrou’ a defesa alvinegra, que, com alto número de rebatidas conseguiu neutralizar praticamente todas as ações ofensivas bugrinas e mandar qualquer perigo pra longe.

Após quatro partidas e apenas três pontos ganhos, o Bugre já flerta com a zona de rebaixamento e, mais do que resultados, carece de desempenho. A equipe ainda não encontrou a maneira correta de se comportar na Série B e, por pouca produtividade coletiva e erros individuais, vai deixando pontos preciosos pelo caminho.

Confira as principais estatísticas do jogo (via FootStats)

Posse de bola: Guarani 62,2% x 37,8% Ponte Preta
Passes certos: Guarani 323 x 187 Ponte Preta
Passes errados: Guarani 58 x 39 Ponte Preta
Finalizações certas: Guarani 4 x 9 Ponte Preta
Finalizações erradas: Guarani  7 x 4 Ponte Preta
Desarmes: Guarani 12 x 13 Ponte Preta
Cruzamentos certos: Guarani 9 x 4 Ponte Preta
Cruzamentos errados: Guarani 23 x 17 Ponte Preta
Escanteios: Guarani 11 x 8 Ponte Preta
Faltas cometidas: Guarani 10 x 1 4 Ponte Preta
Rebatidas: Guarani 27 x 42 Ponte Preta

Mais em Estatísticas