Conecte-se conosco

Notícias

Recordes e acesso: prêmios à devoção do torcedor bugrino

Com festa impressionante do início ao fim, bugrinos garantem maior público da A2

Mais de 15 mil bugrinos foram ao Brinco para acompanharem o acesso: conquista coroa simbiose existente entre time e torcida durante todo o campeonato (Foto: Rodrigo Villalba/FPF)

Uma avenida tomada de gente à espera do ônibus, que estrategicamente parou antes de entrar no portão para que os jogadores sentissem de perto a devoção de quem sofreu muito, mas nem por isso abandonou o  clube do coração. Dentro do estádio, mais de 15 mil vozes que foram o combustível de um time que precisou muito desse apoio para superar o adversário. A recompensa não poderia ser outra. Se havia alguém merecedor, era o torcedor do Guarani, e a vitória por 1 a 0 sobre o XV de Piracicaba, que desentalou da garganta o grito preso desde 2014, foi a coroação para aqueles que, vez após vez, demonstram provas irrefutáveis de seu amor.

No quinto ano seguido do clube na segunda divisão, a pressão foi grande como é em todo o campeonato. Nas duas primeiras partidas em casa, a desconfiança ainda pairava diante do início irregular do time, e o Brinco recebeu menos de 3 mil pessoas nas duas ocasiões.

Conforme a equipe ia reagindo e somando pontos, a simbiose começava a ser criada. Até que veio a prova definitiva. Na sétima rodada, a derrota para o XV de Piracicaba freou o embalo e impediu o Bugre de assumir a liderança. Em circunstâncias normais, o tropeço em casa seria alvo de vaias e reclamações, mas foi justamente o contrário. Os aplausos e o reconhecimento à atuação da equipe mexeram com o grupo e foram o marco que uniu de uma vez por todas jogadores e arquibancada.

“A nossa trajetória teve dois pontos importantíssimos e um deles foi aquele momento, o torcedor aplaudindo na derrota para o XV. Pessoas que estão há mais tempo no clube relataram que era uma coisa rara, que há muito tempo não viam uma atitude como aquela. A partir daquele momento, o torcedor nos abraçou e fomos conquistando respeito deles”, avalia o técnico Umberto Louzer.

Daquele jogo em diante, time e torcida caminharam juntos e uma marca foi sendo batida depois da outra. Em Limeira, nem a chuva impediu o importante apoio dos bugrinos. Dias depois, a Rua Javari ganhou contornos verde e branco para ver o novo líder do campeonato. Na volta para casa, quase dez mil pessoas comemoraram a classificação com a vitória sobre o Penapolense.

Depois de ver o time patinar tanto e às vezes se complicar sozinho, os bugrinos perceberam que havia chegado a hora e que eles seriam peças fundamentais na engrenagem que encaminharia o acesso. Em Piracicaba, no primeiro jogo da semifinal, mais de 2.500 pessoas esgotaram os ingressos em poucas horas e encararam hostilidade para voltar para casa comemorando um bom resultado.

Na quarta-feira, veio o ápice. Se o XV de Piracicaba não sentiu a atmosfera desfavorável no primeiro tempo, como não crer que o ‘sopro’ dos torcedores foi capaz de empurrar a finalização de Fabinho centímetros à direita da trave num lance que, se termina em gol, poderia mudar toda a história do jogo. Mas depois de tudo o que aconteceu nesses cerca de 75 dias de campeonato, a justiça precisava ser feita. E ela foi com o torcedor do Guarani. A explosão no gol do volante Ricardinho e nos minutos finais garantiram os merecidos momentos de deleite de uma torcida que agora pode, finalmente, se orgulhar de ver seu time na elite.

Antes de pensar na primeira divisão, entretanto, ainda há a final da Série A2 no sábado, contra o Oeste. E o palco não poderia ser outro. Tinha que ser no Brinco de Ouro, na casa da torcida que garantiu o melhor público do campeonato (15.816), a melhor média do torneio (5.445) e que, mesmo fora de casa, deu demonstrações constantes de apoio. Agora, falta o título para a coroação total de uma campanha construída com entrega e determinação dentro e fora de campo.

Mais em Notícias