As chances de Guarani e XV de Piracicaba retornarem para a elite do Campeonato Paulista passam muito pelo que eles farão nas partidas em seus domínios. Dois dos principais palcos do futebol do Interior do Estado, Brinco de Ouro e o Barão da Serra Negra receberam inúmeros jogos marcantes e são grandes trunfos de Bugre e Nhô Quim para que o objetivo seja alcançado. E o segundo capítulo da série de reportagens do Nossa Taba sobre a história desses confrontos, com colaboração do historiador bugrino Celso Franco de Oliveira Filho, fala justamente sobre os estádios e relembra a primeira vez em que os clubes se enfrentaram em cada local.
Comecemos por quem recebe o primeiro duelo das semifinais, no próximo sábado, às 20h30. O Estádio Municipal de Piracicaba leva esse nome em homenagem a Francisco José da Conceição, o Barão da Serra Negra. Nascido em 1824, ele faleceu em 2 de outubro de 1900 e recebeu, do Imperador Dom Pedro II, o título nobiliárquico de Barão da Serra Negra por sua dedicação à política do Partido Conservador e por sua hombridade.
O estádio foi inaugurado em 4 de setembro de 1965, com um empate sem gols entre XV e Palmeiras. Dois meses e meio depois, o nome recebido foi de Barão de Serra Negra e isso gerou discussão por muito tempo porque Francisco José da Conceição era o Barão da Serra Negra. A grafia permaneceu errada por mais de quadro década até que em 3 de abril de 2012, foi promulgada a lei 7.286 que determina o nome do estádio como Barão DA Serra Negra.
A primeira vez que XV e Guarani se enfrentaram no local foi em 22 de setembro de 1965, na primeira partida do returno do Campeonato Paulista e terminou com vitória bugrina por 2 a 0, com os dois gols marcados pelo atacante Babá.
PRIMEIRO JOGO NO BARÃO
XV DE PIRACICABA 0 x 2 GUARANI
Campeonato Paulista – 22/9/1965
XV: Silvio, Virgílio, Pescuma, Dorival e Chiquinho, Bastos e Benê, Nondas, Rodarte, Picolé e Sabino.
GUARANI: Sidnei, Deléu, Dalmo, Diogo e Tião Macalé; Eraldo e Américo Murolo, Joãosinho, Nelsinho, Babá e Carlinhos.
Gols: Baba, aos 45 minutos do primeiro tempo e aos 2 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Romualdo Arppi Filho.
Palco do título brasileiro de 1978 e de tantos outros momentos inesquecíveis, a história do Brinco de Ouro é conhecida de cor pelo torcedor do Guarani, mas não custa relembrar. O nome foi dado cinco anos antes da inauguração, quando os arquitetos Ícaro de Castro Mello e Osvaldo Correia Gonçalves apresentaram a maquete do novo estádio. No dia seguinte, na redação do jornal Correio Popular, o jornalista João Caetano Monteiro Filho, ao ver o clichê da foto da maquete e a forma circular e bela do novo estádio, teve em mente um brinco e como Campinas era conhecida como a “Princesa D´Oeste” , fez a seguinte chamada para sua matéria do dia 13 de julho na página 06 com o seguinte título” Brinco de ouro para a “Princesa”, e bastou isso para que a torcida passasse a chamá-lo dessa maneira. Quando se decidiu pelo nome oficial, ficou “Brinco de Ouro da Princesa”.
O primeiro jogo oficial do estádio, tal como o de Piracicaba, também teve o Palmeiras como ‘coadjuvante’. Mas, enquanto o XV não foi além de um empate, o Bugre deixou uma bela primeira impressão ao vencer o rival por 3 a 1 no dia 31 de maio de 1953.
A primeira vez que Guarani e XV se enfrentaram no local foi em 19 de julho de 1953, na primeira rodada do Campeonato Paulista e terminou com vitória bugrina por 2 a 1, com os dois gols marcados por Romeu e Nonô, enquanto Armando descontou para os piracicabanos.
PRIMEIRO JOGO NO BRINCO
GUARANI 2 x 1 XV DE PIRACICABA
Campeonato Paulista – 19/7/1953
GUARANI: Dirceu, Valdir e Manduco, James, Clóvis e Saraiva, Dido, Nonô, Romeu, Piolim e Araraquara.
XV: Fernandes, Pepino e Idiarte, Armando, Tanga e Olavo, Santo Cristo, Moreno, Xixico, Álvaro e Rodriguinho.
Gols: Romeu, aos 27 minutos do primeiro tempo; Nonô, aos 29 minutos e Armando, aos 41 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Mário Gardelli.