O time é líder do campeonato, os titulares estão bem entrosados e o departamento médico está praticamente vazio. Tudo parece conspirar à favor do Guarani, mas à medida que o momento decisivo da Série A2 do Paulista se aproxima, a questão física se torna uma preocupação no clube. Tanto é que, para encarar uma possível maratona daqui pra frente, todos os cuidados estão sendo tomados para que o elenco não sofra nenhuma baixa significativa na reta final.
Esta semana que antecede o confronto com o Penapolense é a última que o Alviverde terá cheia até a definição do acesso, caso a equipe confirme a classificação – depende de apenas uma vitória em três jogos. Não por acaso, cada passo é dado com o máximo de cautela. A atitude de poupar Rondinelly na última partida foi pensando no futuro. Mais valia sentir a falta do meia no jogo contra o Juventus do que correr riscos de não poder contar com ele no mata-mata.
O jogador, aliás, inspira cuidados o tempo todo. Não à toa, já esteve no Brinco de Ouro num dia de folga para realizar prevenção, na terça-feira não treinou com o grupo para fazer um trabalho especial visando ganho de mobilidade e até em casa se dedica ao tratamento para evitar possíveis lesões. Outros atletas também ficam no radar constante da comissão técnica e os setores de fisiologia e fisioterapia têm liberdade para ‘barrar’ os que apresentarem possiveis riscos. Treinos com bola em dois períodos não fazem parte do planejamento, como aconteceu na temporada até agora.
A iniciativa, até o momento, tem se mostrado acertada. À exceção de alguns casos pontuais, que não envolviam lesão muscular e que não chegaram a gerar prejuízo, os únicos jogadores que passaram pelo departamento médico durante a campanha foram o zagueiro Alef, que vivia fase final de recuperação de contusão no joelho e treina normalmente, o atacante Caíque, que teve uma lesão no púbis e mais recentemente o zagueiro Anderson, com um problema no tornozelo.
Para seguir com esse índice, a carga de treinos e a exigências tendem a diminuir de acordo com a sequência de jogos. Segundo time que menos titulares diferentes utilizou no campeonato – foram 18, apenas um a mais do que o Taubaté -, o Guarani, que no domingo completará a marca de 13 partidas em 61 dias, poderá ter, pelo menos, mais três compromissos em duas semanas. Após o jogo com o Penapolense, o Bugre já sabe que enfrenta a Portuguesa, no dia 21 e o Votuporanguense, no dia 24. Estando nas semifinais, vai a campo no dias 28 de março e 1º de abril, segundo tabela básica divulgada pela Federação Paulista. Só depois, garantido numa eventual decisão, o clube voltaria a ter uma semana inteira sem partidas.
Poupar titulares absolutos nas últimas três rodadas ainda não é, internamente, algo cogitado. Primeiro porque a classificação sequer está assegurada e, se isso acontecer, ainda existe o objetivo de ficar em primeiro ou segundo para ter o mando de campo do jogo de volta da semifinal. Na melhor das hipóteses, com esses dois alvos alcançados até quarta-feira que vem, um time alternativo pode ser utilizado na última rodada para que os titulares estejam tinindo na próxima fase.