Guarani e Inter de Limeira são dois dos clubes mais tradicionais do Interior de São Paulo e que carregam em seus escudos lembranças dos maiores títulos que já conquistaram – o Brasileiro de 1978 do Bugre e o Paulista de 1986 do Leão. Confrontos entre eles eram comuns, principalmente nas décadas de 80 e 90, mas esse duelo se tornou cada vez mais raro. Tanto é que, nesta quarta-feira, eles voltam a se enfrentar após quase 11 anos. No último embate, uma cena ficou marcada. Foi a do atacante Lê comendo grama na comemoração de um dos gols bugrinos.
Aquele jogo era válido pela penúltima rodada da fase de classificação. Disputando a segunda divisão estadual pela primeira vez após 58 anos, o Guarani passou por alguns apuros no início do campeonato, o que causou a demissão do técnico Waguinho Dias. José Luiz Carbone assumiu o comando do time e, logo na estreia, levou cinco do Rio Preto. Dali pra frente, no entanto, o time se encontrou e começou a almejar a classificação.
Foi quando chegou aquele 29 de março. Invicto há seis partidas, o Guarani tinha a chance de encaminhar a classificação contra uma Inter que apenas brigava contra o rebaixamento. O jogo não foi fácil, mas o Bugre, apoiado pela torcida, conseguiu construir o resultado. Lê abriu o placar no final do primeiro tempo e Macaé, aos 43 minutos do segundo tempo, definiu o resultado.
O que marcou aquele jogo, no entanto, foi a comemoração de Lê, que extravasou e comeu um tufo de grama do Estádio Brinco de Ouro com direito a um flagra do repórter-fotográfico Élcio Alves. Na época, o atacante explicou da seguinte maneira a inusitada vibração em entrevista ao jornal Correio Popular.
“Pretendia fazer uma comemoração diferente para marcar esta reação da equipe no campeonato. Falei sobre a intenção de comer grama e o Rogério (ala-esquerdo) me disse que já havia pensado nisso também, pois viu acontecer uma vez num clássico na Bahia. Já havia decidido que só ia comemorar dessa forma quando marcasse em casa diante da nossa torcida. Já que ‘colocar o coração na ponta da chuteira’ como também se ouve dizer no futebol não é possível, decidi então comer a grama mesmo”
A garra de Lê contagiou o Guarani, que conseguiu a classificação à fase seguinte. No quadrangular que definiu o acesso, o Bugre ficou na segunda posição do grupo que foi liderado pela Portuguesa e comemorou o retorno à elite do futebol paulista.